dez 202016
 

Contra o feminismo seletivo no campo ideológico: solidariedade a todas as mulheres que sofreram com violências machistas no ato do dia 13/12 em Fortaleza-CE

Na última manifestação contra a PEC 55, em Fortaleza, dia 13 de dezembro de 2016, organizada pela Frente Povo sem Medo e a Frente Brasil Popular, militantes do MTST-Ceará expulsaram do ato integrantes do bloco independente (militantes secundaristas, autonomistas e anarquistas), seguindo com perseguições e espancamentos. [1]

Duas mulheres do bloco independente e uma militante da Nova Organização Socialista (NOS) foram gravemente agredidas por integrantes do MTST, dentre elas, uma militante foi ameaçada de estupro; Ainda, várias mulheres relatam que tentaram barrar a ação violenta e autoritária dos agressores, mas foram empurradas, ofendidas verbalmente e silenciadas por homens, inclusive membros da própria direção do MTST-Ceará

A ação foi alvo de diversas denúncias, dentre elas a da Frente Libertária Estudantil (FLE), que por sua página no facebook postou a foto de uma militante da UNE atribuindo apenas a ela a responsabilidade pelas tentativas de homicídio por parte de integrantes da Frente Povo Sem Medo. Para nós, essa postagem da FLE também representou uma apologia ao estupro – mesmo que tenha tido retratação posteriormente.

Repudiamos todas as violências machistas pelas quais passaram essas mulheres na manifestação e nos desdobramentos dela. Ações como estas nos lembram que em casos de conflito e de guerra – quer entre aparelhos repressores do Estado e movimentos sociais, quer entre a própria “esquerda” – nós, mulheres, somos duplamente ameaçadas e violentadas, tratadas, mesmo para os homens que se dizem à esquerda, como objeto violável e vulnerável, para onde recorrem aqueles que não conseguem construir uma ação política ética e sem sexismos.

Não endossamos os discursos transmitidos em diversas notas da “esquerda”: de um feminismo seletivo, que só reconhece uma violência machista quando a mulher agredida está do seu lado da trincheira e muitas vezes silencia em relação às companheiras agredidas por homens de sua organização ou de frentes de luta que compõem. Nós, mulheres da ORL que militamos na construção do feminismo no Ceará e em movimentos sociais urbanos, sabemos da postura machista de alguns dirigentes do MTST-Ceará, já denunciada também por vários coletivos da cidade. Não nos surpreende essas ações machistas vinda do MTST, pois o mesmo tem em seu quadro militantes já publicamente denunciados por violências machistas.

Portanto, soa-nos desonesto com um feminismo comprometido com a libertação das mulheres entoarem notas e tons de repúdio contra a agressão de uma militante da UNE e não fazerem o mesmo com militantes autonomistas e anarquistas espancadas, violentadas e ameaçadas. Aqui, manifestamos nossa completa solidariedade feminista com as TODAS as mulheres que sofreram violências machistas no ato do dia 13/12 e nas denúncias que daí advieram. Estamos atentas e repudiamos este tipo de feminismo seletivo no campo ideológico.

Enraizar o feminismo na luta contra violências machistas!
Machistas de esquerda não passarão!
Construir Mulheres Fortes! Construir um Povo Forte!
Lutar, Criar, Poder Popular!

Mulheres da Organização Resistência Libertária

20 de dezembro de 2016

[1] Ver nota da ORL: http://resistencialibertaria.org/2016/12/15/nota-de-repudio-as-violencias-cometidas-pelo-mtst-e-une-no-ultimo-ato-contra-a-pec-55-1312-em-fortaleza/

nov 192015
 

Reproduzimos abaixo a nota do Movimento Social FOME, em solidariedade as vítimas da chacina ocorrida na Grande Messejana.

 

 

 

 

Solidariedade aos irmãos vítimas da chacina na Grande Messejana


Nós que fazemos parte do Movimento Social FOME nos solidarizamos com todas as famílias, parente e vítimas da chacina ocorrida no último dia 11 de Novembro na Grande Messejana.

O Movimento Social FOME é mais uma Força na Resistência contra as formas banais que o Estado transfigura nas periferias cearenses, com o braço armado e opressor (Polícia).

Somos a rebeldia nascente nas periferias da cidade de Sobral e como um todo, apoiamos os irmãos e as irmãs que também estão na linha de frente nos guetos suburbanos, passando por essa “Guerra não declarada”. Constitui-se uma “Guerra não declarada”, pois os meios de comunicação e alienação vinculados ao Estado são todos comprados, gerando dessa maneira um silêncio diante das atrocidades cometidas pelo Estado na periferia.

Como vimos no último dia 11 de Novembro toda a periferia em completo desespero por mais uma chacina na capital do sangue “Fortaleza”, nossa União vai além do estado de LUTO para a LUTA por justiça e liberdade aos atos cometidos.

Grande Messejana tem todo o nosso apoio e solidariedade para fortalecer nessa caminhada e não calar-se perante as injustiças e omissões do Estado contra essa população que só é lembrada nas estatísticas criminais.

Aos irmãos vítimas desse extermínio da juventude negra e periférica nosso salve e apoio aos parentes e aos também que ainda se encontram nos hospitais, assim como os que hoje estão sendo ameaçados pelos grupos de extermínio por denunciarem essa barbárie cometida na periferia da capital cearense.

 

Curió- Antônio Alisson Inácio Cardoso Curió – Jardel Lima dos Santos Curió -Desconhecido do sexo masculino

Alagadiço Novo – Marcelo da Silva Mendes.  Alagadiço Novo – Patricio João Pinho Leite

São Miguel -Jandson Alexandre de Sousa.  São Miguel – Francisco Elenildo Pereira Chagas. São Miguel -Valmir Ferreira da Conceição

Messejana – Pedro Alcantara Barroso do Nascimento. Messejana – Marcelo da Silva Pereira. Messejana – Desconhecido do sexo masculino

 

União, Força e Resistência