jun 112014
 

 

NOTA DE SOLIDARIEDADE DA CAB AOS METROVIÁRIOS DE SÃO PAULO SINDICATO DOS METROVIÁRIOS DE SÃO PAULO

 

Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), apoiamos a justa greve dos metroviários de São Paulo, não apenas por melhorias nas condições de trabalho mas em defesa da mobilidade urbana e de um serviço público de transporte gratuito e sem catracas. Acreditamos que os últimos acontecimentos, principalmente os que ocorreram no dia de hoje, são fundamentais para entender o atual estágio de perseguição aos movimentos sociais, populares e sindicais no Brasil, assim como também o atual estágio de desenvolvimento da luta de classes em todo o território.

Sobre as demissões, é inaceitável que o governo do Estado de São Paulo, na figura do Secretário de Transportes, Jurandir Fernandes, demita 60 funcionários do metrô por “justa causa”, alegando que os mesmos estariam envolvidos em atos ilícitos como quebra de patrimônio ou desrespeito às regras de trabalho, quando fica claro que essa medida é um ato de repressão aos grevistas, perseguição política e meio de intimidação aos outros trabalhadores que continuam firmes em sua greve. O mesmo governo que trata a greve como ilegal e abusiva recorrendo à justiça burguesa do TRT, também desrespeita a lei 7.783/89 em seu art. 6º, § 2º que diz: “É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento”. Fica claro então que o governo não está de fato preocupado com a legalidade, deixando claro a postura de perseguição e criminalização dos trabalhadores.

Continuaremos apoiando as lutas dos metroviários desde os setores em que atuamos e que já estão em luta constante por um sistema público de transporte gratuito, assim como na defesa das lutas da classe trabalhadora e desejamos a Fraterna Solidariedade aos companheiros que sofrem nesse momento intensa perseguição política.

Nenhuma demissão será aceita!

Construir o poder popular, pela força das ruas!

Protesto não é crime!

COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA – CAB

 

 


maio 012014
 

Segue abaixo nota da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] enviada como saudação ao Ato do Primeiro de Maio realizado pelos companheirxs da Federação Anarquista Uruguaia (FAU).

Veja a versão da nota em português logo abaixo da versão em espanhol.

 

 

 

Saludos internacionalistas al Primero de Mayo, del luto a la lucha!

Compañeras y compañeros de la Federación Anarquista Uruguaya, la Coordinación Anarquista Brasilera viene, a través de este mensaje, saludar el dia Internacional de La Memória y de Lucha de los Trabajadores y Trabajadoras.

El año que se pasó fué particularmente importante para nosotros, anarquistas y trabajadores y trabajadoras de la Coordinación Anarquista Brasilera. Con el, manifestaciones masivas ha resurgido que tomaron las ciudades brasileras de norte a sur. Estas manifestaciones llenaron de esperanza a la lucha popular y señalaron los límites de un proyecto de dominación y de expansión del capital que oprime y masacra a los/las de abajo. Este proyecto se presenta hoy de una manera cruel, con sus efectos adversos. Mata a las trabajadoras y jóvenes negros en las favelas y periferias, impone el terror de los terratenientes en el campo y en contra los pueblos indígenas y quilombolas (afrodescendientes), y no más, reprime brutalmente a los que aún resisten. Es este el proyecto que también lleva a cabo el translado de ocupaciones urbanas en varias ciudades brasileras, que solo aumentan la explotación del trabajo y intenta vender la imagen de que “Brasil es un gigante que va bien”.

Sin embargo, nosotros, los y las de abajo, sabemos que para los trabajadores y trabajadoras nada va bien! Sabemos que los lucros de la Copa del Mundo de fútbol y los Juegos Olímpicos, que se celebrará en Brasil, se están produciendo sobre la explotación y la represión. Y que los grandes empresários se benefician con el sudor de los verdaderos productores de la riqueza.

Vale a pena recordar, en esta fecha, que los proyectos de dominación en nuestro continente no son nuevos. En este mes y neste año, la dictadura empresarial-militar implementada en Brasil con el golpe de 1964 hizo exactamente 50 años. 50 años en que la clase dominante, con la acción decisiva de los militares, puso Brasil en una noche oscura que duró veintiún años. Somos hijos de esta historia, que en su hilo, encuentra la lucha de las/los que pelean en diversos momentos historicos de resistencia.

Concientes del papel del anarquismo en la lucha popular y en nuestra Sudamérica, nosotros de la Coordinación Anarquista Brasilera reforzamos acá la solidaridad y los lazos de organicidad con nuestras compañeras y compañeros de la FAU. Porque sabemos que la globalización del capital encontrará puños fuertes y cerrados de la internacionalización de nuestra lucha. Para que no se repitan más tragedias del capital.

Para que la memoria de los Mártires de Chicago sea recordada para siempre como un día de lucha!

A los Mártires de Chicago y a todos y todas que se fueron combatiendo las dictaduras del capital de ayer y de hoy, queda nuestro mensaje: NINGÚN MINUTO DE SILENCIO, PERO TODA UNA VIDA DE LUCHA!

¡Viva el Primero de Mayo!

¡Viva el Internacionalismo de los Trabajadores y de las Trabajadoras!

¡Viva la FAU!

¡Vivan los Mártires de Chicago!

 

Coordinación Anarquista Brasilera (CAB)

 

 

VERSÃO EM PORTUGUÊS

 


Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

Companheiras e companheiros da Federação Anarquista Uruguaia, a Coordenação Anarquista Brasileira vem, com esta mensagem, saudar o dia Internacional de Memória e Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

O ano que se passou foi particularmente importante para nós, anarquistas e trabalhadores e trabalhadoras da Coordenação Anarquista Brasileira. Com ele, ressurgiram manifestações massivas que tomaram as cidades brasileiras de norte a sul. Essas manifestações encheram de esperança a luta popular e apontaram os limites de um projeto de dominação e de expansão do capital que oprime e massacra as/os de baixo. Esse projeto se apresenta hoje de maneira cruel, com seus efeitos nefastos. Mata trabalhadoras e jovens negros nas favelas e periferias, impõe o terror dos latifundiários no campo e contra os povos indígenas e quilombolas, e, ainda, reprime brutalmente os que resistem. É esse projeto que também implementa as remoções de ocupações urbanas em várias cidades brasileiras, que aumenta a exploração do trabalho e tenta vender a imagem de que o “Brasil é um gigante que vai bem”.

Porém, nós, os e as de baixo, sabemos que para os trabalhadores e trabalhadoras nada vai bem! Sabemos que os lucros da Copa do Mundo de futebol e das Olímpiadas, que serão realizados no Brasil, estão sendo produzidos sobre a exploração e repressão. E que os grandes empresários estão sendo beneficiados com o suor dos verdadeiros produtores da riqueza.

Cabe lembrar, nesta data, que os projetos de dominação no nosso continente não são novos. Nesse mês e nesse ano, a ditadura empresarial-militar implementada no Brasil com o golpe de 1964 fez exatos 50 anos. 50 anos em que a classe dominante, com a ação decisiva dos militares, colocou o Brasil numa noite escura que durou vinte e um anos. Somos filhos dessa história, que, em seu fio condutor, encontra a luta de lutadores e lutadoras em diversos momentos históricos de resistência.

Conscientes do papel do anarquismo na luta popular e em nossa América do Sul, nós da Coordenação Anarquista Brasileira reforçamos aqui a solidariedade e os laços de organicidade com nossas companheiras e companheiros da FAU. Porque sabemos que a globalização do capital encontrará punhos forte e fechado da internacionalização de nossa luta. Para que não se repitam mais tragédias do capital.

Para que a memória dos Mártires de Chicago seja lembrada para sempre como um dia de luta!

Aos Mártires de Chicago e a todos e todas que se foram combatendo as ditaduras do capital de ontem e de hoje, fica nosso recado: NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO, MAS TODA UMA VIDA DE LUTA!

Viva o Primeiro de Maio!

Viva o Internacionalismo dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!

Viva a FAU!

Vivam os Mártires de Chicago!

 

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

abr 082014
 

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Difundimos a mensagem de denúncia dos atentados e ameaças que companheiros e companheiras da Federación de Organizaciones de Base (FOB) de Rosário têm sofrido por parte do crime organizado articulado com membros do Estado.

Há praticamente dois anos a militância da FOB vem recebendo ameaças de vários tipos por fortalecerem um processo de luta popular constituída desde a base, independentemente do Estado, de partidos políticos, e de perspectiva transformadora. Nas últimas semanas essas ameaças têm se intensificado e adquirido maior materialidade.

Denunciamos a ação do crime organizado local, que atua conjuntamente com membros do Estado argentino, na tentativa de frear as lutas dos movimentos populares combativos do país.

Enviamos desde nossa região os mais fortes votos de solidariedade e apoio. Estamos atentos a qualquer coisa que ocorra a nossos companheiros e companheiras! A solidariedade é mais que palavra escrita! Arriba l@s que luchan!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

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Nota original: http://www.anarkismo.net/article/26876
Tradução: FARJ

 

 

Atentado e ameaça contra militantes sociais da FOB em Rosario, Santa Fe
FOB Rosario

No domingo de 23 de março, perto das 18h, a militante social da Federação de Organizações de Base (FOB), Iris Velásquez, sofreu um atentado na porta de sua casa, quando viu que sua moto havia sito totalmente incendiada. Ela já havia recebido uma ligação para ameaçá-la e advertindo-a do atentado. Minutos mais tarde as mesmas pessoas que realizaram esta ação ligam para o companheiro Emilio Crisi para ameaçá-lo de morte e adverti-lo que ele seria a próxima vítima.

Nestes últimos anos temos visto os ataques de quadrilhas de narcotraficantes que fuzilaram 3 militantes do Movimento 26 de Junho em Villa Moreno, os companheiros Jere, Mono y Patom. Mesmo assim tivemos que padecer pelo assassinato de Mercedes “Mecha” Delgado no bairro Ludueña, pelas mãos de quadrilhas da região. Nossa organização não está, nem esteve, isenta do alcance da ação destas quadrilhas mafiosas que há anos oprimem moradores e fuzilam jovens que se envolvem com o crime diante da falta de futuro e trabalho dignos, algo que o Estado, em seus diferentes níveis, deixou de fazer, e em alguns casos foi cúmplice, como se tem notícia recentemente.

Novamente e de maneira lamentável temos que levar a público uma série de ações que tentam ameaçar e debilitar nossa vontade e espírito militante, aquilo que nos impulsiona a querer mudar o mundo e buscar uma sociedade sem opressores nem oprimidos. Há vários anos temos recebido recados destas quadrilhas mafiosas para que deixemos de fazer a construção social que temos realizado nesta localidade, assim como em outras regiões do país. O objetivo é nos amedrontar e nos fazer abandonar os lugares em cada bairro onde temos realizado numerosas atividades comunitárias, projetos de cooperativas de trabalho, hortas, oficinas de diferentes ofícios, escolhinhas libertárias, espaços de mulheres, entre outros. Cabe esclarecer que sofremos esta perseguição política destes setores do poder em grande parte por estarmos organizados de forma independente, com nosso próprio fôlego, desde a base e por fora do Estado. É evidente que o trabalho de formação, inclusão e prática social transformadora incomoda a estes setores do poder, tanto os institucionais quanto os narco-mafiosos. Concluindo, temos que tornar público à sociedade e aos meios de comunicação que há mais de dois anos não apenas temos recebido, sistematicamente, chamadas telefônicas com ameaças de morte, mensagens de texto e mensagens de voz ameaçadoras, como também no domingo de 23 de março – a um dia de nossa organização sair às ruas para protestar contra o terrorismo de estado da ditadura e impunidade de ontem e hoje – a companheira Isis Velazquez sofreu um atentado na porta de sua residência, onde incendiaram completamente sua moto e fizeram uma ligação telefônica para avisarem de que fariam tal coisa e ameaçá-la com mais ações contra a organização. Minutos depois do atentado e da ligação, esta quadrilha mafiosa realizou uma segunda ligação para o companheiro Emílio Crisi para lhe avisar que seria o próximo a receber um futuro atentado.

Nossa federação decidiu ir às ruas por meio da ação direta, única forma que temos os de baixo para conseguir aquilo que é deliberado em assembléias, com a finalidade de buscarmos justiça e solidariedade de classe de outras organizações diante destes acontecimentos. Sabemos que as quadrilhas de narcotraficantes não estão sós, são compostas também pelas instituições policiais e são protegidas por juízes, advogados, fiscais, políticos, empresários e redes de conivência com o Estado.

Não nos amedrontaremos pelas ameaças e pelo atentado, não ficaremos de braços cruzados quando estamos vivendo a inflação, o desemprego, a injustiça social, a judicialização dos protestos sociais… e agora os atentados e a perseguição política por parte das máfias organizadas que tem entre seus inimigos os movimentos sociais autônomos.

Nesse sentido fazemos pública a convocatória de um ato em solidariedade às organizações sociais, políticas, de categorias de trabalhadores e de Direitos Humanos em repúdio ao atentado, a ser realizada na Plaza San Martin (Santa Fe y Dorrego) em frente ao prédio do governo do Estado, terça, 8 de abril, 10h.

Fazemos um chamado à solidariedade e ao apoio para o esclarecimento deste ato de violência social protagonizada por setores do poder que não querem essa sociedade nova que queremos e estamos construindo dia a dia sem opressores nem oprimidos, sem exploradores nem explorados, sem ninguém que mande nem obedeça, definitivamente uma sociedade livre. Arriba lxs que luchan!!!

O que é a FOB? Como diz nossa sigla, é uma Federação de Organizações de moradores desempregados e que lutamos junto com os de baixo, da Base. Buscamos um mundo mais justo onde haja possibilidades para todos e todas. Para isso nos organizamos SEM aqueles que querem centralizar e se aproveitar das lutas NEM chefes, NEM DEPENDÊNCIA de nenhum partido político nem governo algum.

Nossa luta é para alcançar a dignidade humana sem que ninguém seja privilegiado em prejuízo dos demais. Nossa luta não quer pessoas que mandem e pessoas que obedeçam, mas pessoas que participem de igual para igual. Nossa luta é por liberdade!