ago 042017
 

[Liberación de la Madre Tierra] No momento, à beira de se iniciar o Encontro Internacional de Libertadores e Libertadoras da Mãe Terra, a ESMAD (Esquadrão Móvel Antidistúrbios da polícia) atacou o processo de libertação em Quebradaseca, lugar que foi preparado pela comunidade indígena durante semanas para receber todas as pessoas convidadas e os palestrantes e agora está sendo incendiado e destruído pelos policiais.

Este é um sinal claro de sabotagem por parte do Estado e proprietários de terras na área, juntamente com os ataques das últimas semanas onde dois companheiros foram feridos por estilhaços de bombas.

Chamamos à solidariedade todos os lutadores e lutadoras do país para continuar e aumentar o apoio ao processo de libertação e democratização de terras que está ocorrendo no norte do Cauca.

O ESMAD já se retirou do local, destruiu as barracas construídas pelos libertadores e destruiu a comida que tinham sido enviadas para o evento. Claro sinal de sabotagem e obstrução de um processo que vai aumentando a sua força.

Viva a libertação e democratização da Mãe Terra.

Fonte: https://www.facebook.com/vialibre.grupolibertario/?hc_ref=ARQkJHvGns1jN6HRf-7MlgDT1QA1aufAxa2d9Z4q387SrSkSg3e9rgEldm3n6LMgJKc&fref=nf#

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NOTA PUBLICADA EM SAUDAÇÃO AO EVENTO QUE ESTAVA SENDO ORGANIZADO E QUE ACABOU SENDO REPRIMIDO PELAS FORÇAS DO ESTADO A MANDO DE ESPECULADORES DE TERRAS…

América Latina es el centro mismo de esta nueva etapa del movimiento mundial de la sociedad contra el capitalismo colonial/moderno.

Aníbal Quijano

Quanto mais, dia após dia, nós, os de baixo, nos organizamos, mais e mais nos aproximamos de nosso objetivo de mudança radical, construído pelas nossas próprias mãos. Livrando-nos desse sistema perverso que os governos, o capitalismo e o Estado têm desenhado para nós.

Mas, se os de cima desenham nosso horizonte, façamos então a nossa pichação sobre esse desenho, com nossa luta e resistência, apesar do momento em que acirram os conflitos pelo direito à terra no Brasil, na Colômbia e em toda América Latina. A luta pela terra, por um pedaço de chão para morar, produzir e viver espacializa-se por toda Amazônia Internacional. Desde o IIRSA, que cortou de leste a oeste o continente, impactando inúmeras comunidades desterritorializando-as; passando pelas barragens que secam os rios mais caudalosos e ricos em vida; os projetos mineralógicos sugando o solo e destruindo comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas. Tudo isso desenhado para o desenvolvimento.

Desenvolvimento esse que é fruto do capitalismo colonial/moderno e da globalização neoliberal que esmaga as tradições dos povos originários de toda floresta amazônica. O latifúndio no campo aumenta e condiciona o camponês obrigando-lhe a fugir de sua terra, pressionado pelo agronegócio e pela pistolagem. Enquanto isso, nas grandes cidades e centros econômicos e comerciais amplia-se a concentração de renda nas mãos de poucos, não é dado o direito a habitação com dignidade na maioria das aglomerações urbanas latino-americanas, gerando bolsões de pobreza pela carestia de vida, pelas péssimas condições de saúde. Fatores que são orientados pelos setores empresariais e impulsionados pelo capital.

Nossos povos originários nos mostram que apenas resistindo e lutando contra essas forças hegemônicas é que almejaremos a transformação social. Um exemplo disso está na Colômbia, onde existem 87 povos originários reconhecidos e tantos outros mais ainda lutam pelo reconhecimento ao direito ancestral aos seus territórios. No Brasil, temos a luta pela autoafirmação dos povos indígenas e também das comunidades quilombolas. A autodemarcação de suas terras é prática de ação direta, tomando para si e tirando dos governos e do Estado a primazia de dizer quem tem o direito à terra.

É com esse sentimento de transformação, desde de baixo, que a Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) saúda o Encuentro Internacional de Liberadoras y Liberadores de La Madre Tierra fruto do Proceso de Liberacíon de La Madre Tierra. Esta iniciativa mostra que autogestão, independência econômica e ação direta são princípios práticos que podem nos ajudar no caminho da transformação social.

Para libertar a Madre Tierra é necessário libertar o pensamento, descolonizando, retomando as maneiras e práticas dos povos originários, tecendo com linha de resistência nosso manto de luta, de todos os oprimidos de nossa imensa Amazônia da Colômbia ao Brasil e de toda América Latina.

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

04 de julho de 2017

set 282015
 

Na última quinta-feira, 24, tivemos a infeliz notícia da “recepção” de João Pedro Stédile (Dirigente Nacional do MST) pelos cada vez mais fascistas organizados pelos PSDB, no aeroporto de Fortaleza. Essa “recepção” foi organizada pelo vice-presidente do partido em Fortaleza, somado a outrxs militantes que dispensaram várias palavras de ódios contra João Pedro e a professora Adelaide Gonçalves (UFC).

Registramos aqui nosso apoio a Stédile e principalmente a companheira Adelaide, que tem contribuído ao longo de anos com o socialismo e na construção de movimentos sociais nestas terras. A companheira tem, desde de 2008, quando da fundação da Organização Resistência Libertária, sido parceira em várias atividades conosco e merece todo nosso apoio contra os fascistas que a agrediram naquela situação.

 

Reproduzimos abaixo nota do site do MST, e assinamos a nota anexa.

 

 

MST denuncia e repudia ato agressivo e constrangedor contra Stédile


A Direção Nacional do MST vem a público denunciar e repudiar o ato agressivo e constrangedor que o membro da coordenação nacional do MST, João Pedro Stédile, sofreu no aeroporto de Fortaleza na noite desta terça-feira (22).

Para o MST, este episódio não é um fato isolado, mas um reflexo do atual momento político pelo qual passa o país, em que se vê crescer a cada dia o ódio contra os movimentos populares, migrantes e a população negra e pobre, como os recentes acontecimentos no Rio de Janeiro em que a juventude das favelas está sendo impedida, com risco de sofrer agressão, de ir às praias da zona sul da capital fluminense.

Estes atos de violência e ódio propagado intensamente nas redes sociais, e que reverbera cada vez mais nas ruas, é mais uma demonstração da violência dos setores da elite brasileira dispostos a promover uma onda de violência e ódio contra os setores populares.

Clique aqui e confira a nota de solidariedade de diversos movimentos populares.

Porém, num outro recente episódio de ódio contra Stédile, quando circulou nas redes sociais um cartaz em que oferecia uma recompensa por ele “vivo ou morto”, já alertávamos que a dimensão destes acontecimentos advém, sobretudo, de uma mídia partidarizada, manipuladora e que distorce e esconde informações, ao mesmo tempo em que promove o ódio e o preconceito contra os que pensam diferente.

São estes meios de comunicação a serviço de uma direita raivosa e fascista os responsáveis por formarem estas mentalidades criminosas e odiosas que alimentam as ruas e as redes sociais com os valores mais anti-sociais e desumanos que possa existir.

Entretanto, estas atitudes não serão capazes de nos tirar da luta por Reforma Agrária e pelos direitos sociais historicamente negados ao povo brasileiro. Não aceitaremos que nenhum militante dos movimentos populares sofra qualquer tipo de agressão ou insulto por defender e lutar por justiça social. Nos comprometemos a permanecer em luta nas ruas pela defesa da democracia, dos direitos civis, da classe trabalhadora e o respeito aos valores humanitários.

“Ousar lutar, ousar vencer!”

Lutar, Construir Reforma Agrária Popular!

 

Direção Nacional do MST
São Paulo, 23 de setembro de 2015.

 

jan 282014
 

NOTA DE SOLIDARIEDADE DA COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA À LUTA EM JOINVILLE

De um lado, as empresas de transporte coletivo privado, suas catracas, seus seguranças privados. Mais polícia militar com seus homens (sim, todos homens), sua cavalaria, seu helicóptero, suas armas. Não esquecemos da prefeitura e seus parceiros da casa vizinha, a câmara de vereadores. Do outro lado, as trabalhadoras e trabalhadores, estudantes, desempregadas e desempregados, entre tantos outros que não detém o poder para gerir livremente suas vidas.  Parte dessas se encontram diariamente no transporte coletivo, para ir e vir, outras tantas, não conseguem pagar para pela catraca passar.

Os anarquistas estão de um lado, o lado de seus companheiros de classe, o lado dos de baixo. Diariamente, pegando o “coletivo”, o “busão”, o “latão”, o “zarcão”. Lado a lado com os seus, as suas. No final da tarde, dessas tardes que voltar para casa ficou mais caro, faixas se posicionam, bandeiras começam a flamejar, vozes a gritar. Do outro lado, escudos, armas, cavalos, e um helicóptero se posicionam. Os anarquistas estão de um lado, do lado do povo organizado, seu único lado possível, após centenas de anos de história.

Em Joinville/SC, a militância integrante do Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), organização integrante da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), tem uma atuação constante e enérgica no combate à máfia do transporte coletivo, representado pelas empresas Gidion e Transtusa, que operam há 50 anos na ilegalidade com o aval dos políticos da classe dominante, do PSDB, PMDB, PT e afins, que ocuparam a Prefeitura Municipal de Joinville. Atuando e se organizando junto ao coletivo local do Movimento Passe Livre ou na Frente de Luta pelo Transporte Público, ao povo organizado.

Na quarta-feira (22/01/2014), dois militantes do CABN, acompanhados de outro integrante da Frente de Luta pelo Transporte Público, foram presos após voltarem da manifestação que exigia a revogação do aumento da tarifa e a criação de uma empresa pública com tarifa zero para toda população.

A prisão ocorreu por meio de uma emboscada da Polícia Militar de Santa Catarina, em que o Capitão Venera, responsável pela operação, agiu para atender as necessidades das empresas privadas de transporte, colocando mais de seis viaturas policiais, cerca de 20 homens fardados e fortemente armados. Os nossos companheiros foram arrastados pela via pública, sofreram com cassetadas e pisaram na cabeça de um deles.

O peso da fúria policial é reflexo do quanto a luta organizada demonstra efetiva combatividade contra o monopólio do transporte coletivo e coloca em risco os interesses da classe política dominante. Por isso, não vamos silenciar em nenhum momento na denúncia e no vigor da luta. Como já lembraram os companheiros anarquistas, “a solidariedade é mais que palavras”. Estamos juntos hoje e amanhã, firmes e dispostos a vencer o capitalismo e a violência policial. Não fomos os primeiros, não seremos os últimos.

Pelo fim da polícia militar!

Protesto não é crime!

Contra a criminalização dos movimentos sociais!

Fora Aumento! Fora Gidion e Transtusa!

Aumento Nunca Mais!

Por uma cidade sem catracas!


Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

Brasil, 26 de Janeiro de 2014