jul 042015
 

Toda solidariedade à luta das 8 mil famílias das Ocupações da Izidora (MG)!

Acompanhamos o drama das 8 mil famílias das três ocupações da Região da Izidora (Rosa Leão, Esperança e Vitória) em Belo Horizonte, Minas Gerais. Manifestamos toda solidariedade à luta dessas famílias e repúdio à forma como o governo Pimentel (PT) está tratando o caso, com cinismo, repressão e terror psicológico.

A luta destas milhares de famílias é em defesa de um direito básico que deveria ser assegurado pelo próprio Estado que hoje criminaliza, reprime e despeja. Em Belo Horizonte o déficit habitacional ultrapassa a casa das 70 mil famílias sem teto. Em Minas Gerais, o déficit chega a 6 milhões. É por conta desta dura realidade, somada ao fator da especulação imobiliária que faz com que o povo pobre seja expulso das proximidades da região central para as margens, que surgem as inúmeras ocupações urbanas.

São inúmeros os lotes vazios, os terrenos devolutos e entregues às moscas da especulação na capital de Minas Gerais, enquanto milhares de trabalhadoras e trabalhadores vivem a penosa realidade do aluguel, de morar de favor, ou de simplesmente não ter um teto para abrigar sua família. Este contraste aponta, inevitável e justamente, para o surgimento de ocupações urbanas, que dão vida e função social para lotes que anteriormente serviam para a especulação e até mesmo para desova de cadáveres, estupros, etc. As ocupações urbanas são exemplos práticos de ação direta do povo organizado que faz valer seu direito que é furtado pelo Capital, pelo Estado e pela (in)Justiça.

Não é diferente com as ocupações da Izidora. A luta das famílias das ocupações coloca de um lado o direito que o povo tem de morar dignamente e de outro a ambição pelo lucro de construtoras e demais especuladores. Enquanto as famílias querem apenas um teto, a Construtora Direcional quer garantir o seu lucro de 15 bilhões com as construções que foram planejadas para o local. Neste embate, o governo Pimentel, a prefeitura de Márcio Lacerda, e o Tribunal de Justiça compraram o lado dos ricos e exploradores.

Somamos nossa voz às vozes de NÃO AO DESPEJO diante da possibilidade de o governador petista Fernando Pimentel promover um verdadeiro banho de sangue no norte de Belo Horizonte. É claro e evidente que um massacre está anunciado, de mesmo tamanho ou até maior do que houve com Pinheirinho, em São Paulo, em 2012. Isso porque a questão da Izidora, pelo tamanho dos terrenos, pela quantidade de famílias e pela disposição destas famílias de resistir ao despejo, é tida como o maior conflito fundiário urbano atualmente no país. Desta forma, o governador que alfinetou Beto Richa, governador do Paraná (PSDB), pelo massacre cometido contra os servidores públicos em 29 de abril deste ano, promoverá um atentado à vida de milhares de trabalhadoras e trabalhadores tão grande quanto o cometido pelo tucano em Curitiba.

Por isso, reafirmamos nossa posição em defesa da luta destas famílias, nos integramos à rede de solidariedade Resiste Izidora e reiteramos que se não for pela união popular, a organização de base e a solidariedade de classe, nossos direitos serão tratorados e, junto com eles, as nossas casas, a nossa dignidade, nossos sonhos e as nossas vidas.

 

Despejo Zero!

Resiste Izidora!

Somos todxs Izidora!

Com Luta, com Garra, a casa sai na Marra!

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Assinam esta nota: Coordenação Anarquista Brasileira (CAB) / Coletivo Mineiro Popular Anarquista (COMPA)

jul 022015
 

A Organização Resistência Libertária (ORL/CAB) convida a todxs para o início do Ciclo de Estudos Anarquistas que estaremos promovendo de julho a dezembro deste ano. Nesse primeiro encontro teremos como tema “O que é Anarquismo?”, onde discutiremos sobre as definições e correntes do Anarquismo. Teremos como companheiros neste primeiro Ciclo, a participação da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ/CAB), organização também integrante da Coordenação Anarquista Brasileira – CAB.

A atividade conta, como sempre, com o apoio dxs companheirxs do Plebeu Gabinete de Leitura (Biblioteca Social).

Quer saber mais sobre as Organizações Anarquistas? Acompanhem em:
Organização Resistência Libertária: http://www.resistencialibertaria.org/
Federação Anarquista do Rio de Janeiro: http://www.farj.org/
Coordenação Anarquista Brasileira: http://anarquismo.noblogs.org/

Convide suas amigas e seus amigos em nosso evento do Facebook: https://www.facebook.com/events/866710883397511/

 

maio 052015
 

Reproduzimos abaixo a Nota dxs companheirxs do Coletivo Quebrando Muros, do Paraná, quem vem sendo atacado pelo Governo Beto Richa. Para mais informações, recomendamos o acompanhamento da página do próprio Coletivo Quebrando Muros (https://quebrandomuros.wordpress.com/)

Toda solidariedade aos compas paranaenses!

Criminoso é o Estado!

 


Protestar não é crime – Criminoso é o Estado!

Depois da maior repressão ao funcionalismo público da história do Paraná, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP) quer encontrar um bode expiatório para “justificar” o massacre ao movimento de luta que resiste ao desmonte da educação e da previdência dos servidores públicos do Paraná. No dia 29 de abril de 2015, no Centro Cívico de Curitiba, a polícia atacou e feriu centenas de trabalhadores, trabalhadoras e estudantes. Mas o Estado quer culpar alguém por ter começado o dito “confronto”.

Quem tentou impedir a votação desse projeto de lei absurdo, que acaba com a previdência dos funcionários públicos, foi o movimento de luta composto por professores, professoras, agentes penitenciários, funcionários da saúde e educação e estudantes. Não foram grupos ‘radicais’ que protagonizaram a luta direta contra os ataques do governo – como Francischini afirmou em coletiva de imprensa, foram os próprios trabalhadores, trabalhadoras e estudantes, afetados diretamente por tais ataques.

No mês de fevereiro quem impediu que o ‘pacotaço de maldades’ fosse votado a toque de caixa pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP) foi a ação direta dos trabalhadores e estudantes que, por meio da ocupação daquela casa, levou à retirada do projeto. Desta vez foram, novamente, os próprios trabalhadores e estudantes que resistiram até o fim contra o PL da Previdência.

Agora, querem acusar os ‘black blocs’, o movimento Antifascista e o Coletivo Quebrando Muros de serem grupos criminosos, mas os verdadeiros responsáveis por esse massacre são Beto Richa, Fernando Francischini e todo braço do Estado (PM, CHOQUEBOPE, cachorros treinados, atiradores de elite, cavalaria, helicóptero) que nos atacaram com jatos d’água, spray de pimenta, cassetetes, balas de borracha, chutes, socos, bombas de gás lacrimogênio vindas de todos os lados, inclusive do helicóptero, não preservando sequer as crianças da creche que fica ali perto.

Quem começou o ataque foi o próprio Governador Beto Richa quando, por meio da PL 252/2015, atacou o direito à previdência dos servidores do Paraná, e os deputados que votaram favoráveis a esse projeto de lei. O governador se utilizou do maior contingente policial da história do Paraná para reprimir o movimento social.

Foram milhares de pessoas indefesas contra uma artilharia de guerra. Apenas um lado dessa ‘guerra’ tinha armas, o que houve não foi um confronto mas sim um massacre. Centenas de pessoas desmaiaram, ficaram feridas, perderam parte da audição, parte da visão e estão de cama até agora. Além dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras que vão ter sua previdência destruída.

Entendemos que não foi por acaso que escolheram justo os libertários e anarquistas para serem bodes expiatórios. Há muito tempo na história da humanidade o anarquismo é erroneamente confundido como sinônimo de baderna e desordem. Entretanto, os libertários compõem um setor dos trabalhadores oprimidos que se organiza para combater toda forma de dominação e exploração. O governador Beto Richa e o seu secretário de segurança Fernando Francischini querem se aproveitar do erro banal do senso comum para colocar na cabeça do povo que a culpa do massacre não é deles, mas nossa! Eles querem usar desse jogo para tirar de foco o massacre do dia 29 de abril!

Hoje, mais de 90% da população paranaense apoia a luta dos professores e a popularidade do governo está em baixa. O governador não vai enganar o povo dizendo que usou de toda aquela força para reprimir ‘black blocs’. O povo sabe por meio da mídia alternativa e dos diversos vídeos que deixam claro que criminalizar “grupos radicais” não passa de mentiras e enganação.

Não nos deixaremos abater! Buscamos derrubar os muros que isolam e alienam todos e todas nós da realidade que nos cerca. Nós, do Coletivo Quebrando Muros, somos um coletivo libertário que atua no movimento estudantil de diversas faculdades e universidades paranaenses; somos professores estaduais do Paraná atuantes no movimento sindical; construímos um movimento comunitário por moradia digna para todas e todos e fazemos diversos trabalhos sociais como hortas agroecológicas, alfabetização de adultos, cursinhos pré-vestibulares e cirandas de educação infantil.

Somos estudantes e trabalhadores que lutam por movimentos construídos horizontalmente, com protagonismo do povo e sem líderes ou patrões. Estamos em defesa da educação, da saúde e do transporte públicos, estamos e vamos continuar na luta contra todas as formas de dominação e opressão que sofremos; nós, trabalhadores, estudantes, mulheres, homossexuais, negros, pobres da periferia.

Nenhum passo atrás!

Nenhum direito a menos!

Não à criminalização dos movimentos sociais!

abr 302015
 

Todo apoio à luta dos trabalhadores, trabalhadoras e estudantes do Paraná!

 

Quanto mais nos reprimem, mais nos mobilizamos!

A luta do funcionalismo público em conjunto com estudantes do Estado do Paraná já é histórica, conseguindo barrar medidas de austeridade do Governo Beto Richa (PSDB) a partir da ação direta, com mobilizações com mais de 50 mil pessoas e com duas ocupações da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP).

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O chamado “pacotaço”, pacote de medidas que afetava diretamente osdireitos trabalhistas conquistados com muita luta (especialmente aprevidência dos funcionários e funcionárias públicas), foi retirado em fevereiro devido à luta radicalizada da classe oprimida organizada. Porém, o Governo do Estado não desiste de atingir a previdência dos servidores e servidoras, colocando em pauta na ALEP o Projeto de Lei 252/2015, o PL da Previdência.

Com um contingente policial enorme, vindo de todo o Paraná, o Estado conseguiu passar a proposta de alteração da previdência na comissão de constitucionalidade, na segunda-feira (27/04), mas na quarta-feira (29), data em que o projeto vai ao plenário, a classe trabalhadora vai resistir até o fim para barrar mais uma vez este ataque aos direitos que foram conquistados com muito suor e sangue.

Como se não bastasse o Estado estar endividado até o limite de nãorepassar verbas para combustíveis e comida de seu braço armado, a polícia, o Governo Beto Richa ordenou dois ataques repressivos truculentos para cima dos trabalhadores, trabalhadoras e estudantes nesta terça (28). Um na madrugada, com direito a spray de pimenta, e outro no final da manhã, com muitas pancadas de cassetetes, balas de borracha, mais spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio.

Mas se o Estado tem seu braço armado e toda sua classe burocrata, as pessoas trabalhadoras e estudantes têm a solidariedade do resto da classe oprimida. Quem apanha não esquece e quem luta coletivamente até o fim conquista a vitória.

Toda solidariedade aos lutadores e lutadoras da educação do Paraná!

Todas as pessoas paranaenses presentes na batalha de amanhã!

Só a ação direta garante nossos direitos!

Quanto mais nos reprimem, mais nos mobilizamos!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

abr 282015
 

A Organização Resistência Libertária [ORL/CAB] realizará, junto com xs companheirxs do Movimento Social FOME [Sobral] e do Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí [GEAPI], o II Seminário “Anarquismo e Organização Popular”. Este Seminário é um desdobramento do primeiro seminário que foi realizado em Fortaleza no ano passado e busca continuar o processo de troca de experiências e fortalecimento das lutas de várias regiões do Ceará e Piauí.

“Os grandes só são grandes se estivermos de joelhos. Levantemo-nos!!”

 

 

fev 122015
 

 

Reproduzimos abaixo a nota dxs nossxs companhierxs da Federação Anarquista Gaúcha, denunciando a forte repressão no Rio Grande do Sul e a prisão do companheiro Vicente. Pedimos ampla divulgação desta nota.

É denunciar o Estado Brasileiro!

 

 

NÃO SE INTIMIDAR, NÃO DESMOBILIZAR! TODA NOSSA SOLIDARIEDADE AO COMPANHEIRO VICENTE!

 

 

Janeiro de 2015, às vésperas da retomada das lutas contra o aumento das passagens e em defesa de um transporte 100% púbico em Porto Alegre, recebemos a notícia da sentença dada ao companheiro Vicente, militante da FAG e lutador social do Bloco de Luta pelo Transporte Público de Porto Alegre. Vicente está sendo condenado a um ano e meio de prisão por dano ao patrimônio público e crime ambiental, “crimes” que teria cometido em Abril de 2013 durante uma manifestação do Bloco de Luta em frente a Prefeitura de Porto Alegre. Trata-se da primeira condenação em Porto Alegre e para nós uma clara tentativa de intimidar e colocar medo no conjunto de lutadores e organizações que estão rearticulando as lutas nesse início de 2015. Um expediente político e histórico utilizado pelos setores dominantes de nossa cidade e de todo o mundo: o encarceramento dos que se levantam. Não nos desmobilizaremos e a nossa solidariedade será militante e nas ruas!!!

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E a criminalização continua…

O fato de a condenação nos ter sido comunicada apenas uma semana antes do primeiro protesto do ano do Bloco de Lutas pelo Transporte Público é tudo menos uma obra do acaso ou de um processo regular do poder judiciário. Inicia-se o ano e ao mesmo tempo se começa a mexer nos processos que estavam tramitando desde 2013: adicionando nomes à alguns, novos crimes à outros. O processo neste contexto busca ter o mesmo efeito de uma bala de borracha ou de uma bomba de efeito moral: uma tentativa de intimidar e freiar as lutas nas ruas que ousam questionar os lucros dos empresários e os conchavos já evidente das empresas com os poderes públicos.

A situação está longe de ser apenas uma situação local: quem achou que a conjuntura de criminalização havia se esgotado em virtude do descenso das mobilizações de rua após a Copa do Mundo em 2014, a recente movimentação dos governos e dos aparelhos repressivos indicam o contrário. Em São Paulo, Rio de Janeiro e uma série de outras cidades no Brasil que iniciaram o ano com mobilizações contra o aumento das tarifas de ônibus a repressão tem usado dos mesmos expedientes contra os manifestantes: gás lacrimogênio, bala de borracha e detenções arbitrárias. O carioca Rafael Braga Vieira, que era até então o único condenado dos protestos de junho de 2013 continua preso e em Porto Alegre os processos voltam a ser movidos, novos nomes são inseridos e agora a primeira sentença é dada, sem prova alguma. É a velha justiça burguesa tomando lado em uma luta entre opressores e oprimidos que está longe de acabar.

Contudo, a luta e organização dos de baixo não começou hoje e também continuará. Mobilizam-se os jovens, os trabalhadores, os sem tetos e as comunidades de periferia. As mobilizações de rua de 2013 abriram novas possibilidades na gestação de experiências organizativas e de luta que o conjunto da esquerda combativa e anti capitalista precisa ajudar a fomentar e impulsionar, descartando as velhas práticas vanguardistas, sectárias e impositivas que infelizmente ainda permeiam discursos e práticas de muitas organizações. Acreditamos que só assim podemos criar força social que desde baixo vá gestando mecanismos de auto-organização e cravando em seu horizonte a necessidade de transformação social do conjunto da sociedade. Uma verdadeira frente de oprimidas e oprimidos solidária a todo e qualquer companheiro preso, torturado, assassinado e desaparecido.

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2015: avançar em organização, cercar ainda mais de solidariedade @s que lutam!

A seletividade do sistema penal também se torna evidente neste caso. Ao longo desse processo que começa com mais de uma dezena de acusados pelos danos realizados em uma manifestação com mais de mil pessoas, vimos arquivarem um a um todos os suspeitos, responsabilizarem o único rapaz negro de ideologia anarquista que estava entre os acusados e agora incluírem outro militante negro do Pstu. Sabemos que o motivo central dessa condenação é de ordem político-ideológica mas não podemos omitir o fato de que a cor negra dos acusados tem um peso importante.

Os últimos processos tiveram como destaque a criminalização contra os coletivos e movimentos anarquistas. Em 2013, tivemos os nossos espaços públicos invadidos e nossos livros recolhidos, passando por pesados processos de inquéritos onde o que era avaliado era nossa posição em relação a temas como autoridade, governo, forças policiais e outros assuntos caros à ideologia anarquista. Panfletos, cartazes e literatura foram anexadas nos processos, como se fossem provas circunstanciais que mostrassem algum papel de mentor intelectual da nossa ideologia nas depredações ou saques realizados nas manifestações de 2013, que contavam com mais de 50 mil pessoas em Porto Alegre.

O companheiro Vicente, assim como os demais militantes e lutadores de outras organizações, coletivos e ideologias, não foi o primeiro e não será o último jovem negro e anarquista a ser condenado nesse Brasil racista. São milhares de homens e mulheres negros/as e pobres exterminados e condenados diariamente pelas polícias militares e pela justiça burguesa e racista. É a elas e eles que nossa solidariedade militante é direcionada e será junto de cada trabalhador/a que cerraremos nossos punhos. Não nos intimidaremos e em cada marcha de rua, piquete, greve, ocupação estaremos ombro a ombro com todos e todas que lutam!

Solidariedade à todos e todas companheiros e companheiras perseguidos por lutar!

Pelo fim da polícia militar!

Nossa ideologia anarquista não se presta a caricaturas!!!

 

Federação Anarquista Gaúcha – FAG

fev 052015
 

SOBRE A POLÍTICA ARCAICA DE COMBATE ÀS DROGAS

“A marcha fúnebre prossegue”

Facção Central

Secretarias, órgãos e instituições do Estado apresentam um discurso único na mídia corporativa e repetem constantemente que combaterão as drogas em 2015. Os deputados e o atual governador do Estado prometeram um plano de segurança ostensivo: mais polícia na rua, mais esquadrão Raio, construção de novos presídios, diálogo com as forças repressivas e o aumento de equipamentos para a repressão.

Tanto a direita quanto a esquerda parlamentar apresentaram seus planos de segurança na farsa eleitoral do ano passado. A esquerda eleitoral, com seu reformismo, apresentou um fajuto modelo em que o consumo de determinadas drogas seria controlada pelo Estado. Distribuição e consumo controlados pelo Estado? E o livre arbítrio para produções coletivas e domésticas de autoconsumo? É… fazem parte do programa dos partidos diversas formas de controle social. Parece ser uma pauta avançada, mas a intervenção estatal sempre visará controlar e vigiar os passos do povo.

Na realidade, este combate às drogas vem associado ao massacre da juventude periférica e pobre, em sua maioria negra. A tradução desse discurso no cotidiano é a criação de “zonas de extermínio”. Essas zonas estão na periferia, áreas sem bibliotecas, sem uma real formação para a vida, sem uma articulação entre os serviços sociais básicos e com altos índices de desemprego formal. Isso implica uma juventude sem acesso a serviços essenciais, sem uma renda satisfatória para manter as necessidades mais básicas.

A única coisa que chega a qualquer horário batendo à porta dessa parcela da população é a repressão. A principal violência em nossa sociedade é a do Estado! Essa juventude é chamada de vagabunda por muitos “especialistas” da (des)segurança pública, e os referidos vagabundos, na concepção dos “especialistas”, seriam aquela parcela matável. Essa propaganda aparece todos os dias nos programas policiais sensacionalistas, programas que são patrocinados por empresas de segurança, bebidas alcoólicas e funerárias. A ligação entre mídia e patrocinadores movimenta um verdadeiro mercado do terror.

Vivemos uma guerra não declarada, em que a pena de morte é a punição para quem não se adequa ao sistema. Nossa sociedade é concorrencial e excludente, e esses pilares do capitalismo são cartas fundamentais para nossa divisão. Assim, “no jogo do sistema é favelado versus favelado”, como diria nossos companheiros do Apologia do Gueto.

Muitos, quando falam em extermínio da juventude, gostam de apresentar dados sobre homicídios e acabam omitindo que o Estado contribui diariamente de outras maneiras para o extermínio da juventude pobre e negra. Eles omitem que os precários serviços sociais é que o verdadeiro extermínio, em que o posto de saúde fica sempre lotado, o transporte coletivo é sucateado e caríssimo, as unidades de “internação” para a juventude em conflito com a “lei” são superlotadas e o direito ao Ensino Superior para a maioria da periferia é negado pela “porta” do vestibular (SISU).

A solução apresentada pelo governo do Estado em conjunto com as forças repressivas é a criação de uma Secretaria de Combate às Drogas, que na prática já se vislumbra que será um combate a uma juventude que não teve direito algum durante sua vida. Será um combate a quem tem falta de quase tudo no cotidiano. É a visão arcaica e falida de sempre aumentar a repressão. Os cerca de 18 mil homens da polícia militar (PM) do Estado terão carta branca para ações mais truculentas.

Paralelo a isso, números e mais números são apresentados. Na Educação, o governo Dilma acaba de colocar um Ministro da Educação cearense. O mesmo que entrou com ações no STF para barrar a Lei do Piso Nacional do Magistério e que reprimiu violentamente as professoras e os professores na última greve do Magistério estadual cearense (2011). Eles propagandeiam os mais de 90% de alunos matriculados na escola básica. Isso não diz muita coisa, isso demonstra a hipocrisia do Estado e só ajuda a esconder a miséria da educação nesse estado e nesse país. Qual a função da escola cada vez mais tecnicista na atualidade? Qual a lógica das escolas “profissionalizantes”? Perguntas que respondemos simplesmente afirmando que a Escola mantém, como sempre manteve, sua função de apenas formar seres utilizáveis para o mercado e obedientes ao Estado.

O LADO SUL DA REGIÃO METROPOLITANA (RM)

[…] quem é que vai morrer por aqui não tem dublê, o roteiro é macabro o protagonista é você […] Apologia do Gueto

Crianças e adolescentes aumentam os números das estatísticas sobre violência em nosso Estado, mas a violência da desigualdade não é discutida, simplesmente se naturaliza. A violência estatal não entra na estatística. As mortes que ocorrem em presídios, nas filas de hospitais, no campo e nas fábricas dificilmente são relatadas pelo Estado. Se falarmos em homicídios, segundo o Mapa da Violência de 2012, Maracanaú e Fortaleza disputam o primeiro lugar em termos de homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes. Em números absolutos, Fortaleza ocupou a sexta posição e Maracanaú a 23ª colocação numa lista das 100 cidades com as maiores taxas de homicídio do Brasil. Muitos são os jovens que não aparecem nessa estatística, simplesmente somem de um dia para o outro. Ninguém sabe o que realmente ocorre dentro das unidades de “internação” para os jovens em conflito com a “lei”. Há também aqueles que passam por tortura, não suportam as sequelas e cometem suicídio.

No Maracanaú, assim como em outras cidades, a corrupção faz parte das estruturas de poder. A corrupção é intrínseca ao sistema capitalista. Ela permeia todas as instituições do sistema, inclusive, é claro, a policial. Não é apenas uma questão de “baixos rendimentos” que faz com que atos corruptos surjam entre os policiais. O que podemos esperar de quem tem a função de reprimir o povo que já é super explorado pelos patrões e governos? O que podemos esperar dos que ganham semanalmente uma “gorjeta” fazendo a RONDA nas propriedades privadas? Que o digam os postos de combustíveis e os grandes estabelecimentos…

O bairro do Conjunto Timbó, em Maracanaú, foi constituído por famílias vindas das diversas áreas periféricas de Fortaleza. Historicamente, a comunidade do Timbó teve e tem seu solo manchado por sangue, já passou por diversas ocupações e é um dos locais preferidos para “desova” de corpos. A ação policial (militar e civil) sempre foi truculenta e abusiva no bairro, principalmente com a juventude, e, em grande medida, as desovas (nas margens do Rio Timbó) foram realizadas por esses repressores. No Timbó faltam espaços para o desenvolvimento de arte e cultura no bairro. Nosso esgoto é jogado diariamente em um dos afluentes do Rio Cocó, as mazelas provocadas pelo sistema de dominação em que sobrevivemos estão presentes diariamente em nosso meio.

De meados de dezembro de 2014 até as primeiras semanas de janeiro de 2015, três foram as mortes ocorridas no Timbó. Tiros, conflitos, polícia e o chão vermelho de sangue, praticamente uma morte por semana. Cotidiano suicida é o que uma sociedade desigual traz. Mortes não desvendadas são comuns, mas não devemos achar normal tal situação, achar que é menos um e mais nada. As relações de dominação e as estruturas de poder precisam ser compreendidas. Precisamos nos organizar e entender que a justiça não é lenta, e sim burguesa e tenderá sempre para um lado. Foram três homens, três histórias, três seres humanos, vidas! Mulheres sofrem: mães, irmãs e namoradas que passam por situações vexatórias nos presídios em dias de visita.

O policiamento faz seus acertos e sabe a hora de jogar fogo nos conflitos. Há uma relação estreita com o tráfico e os acordos e a extorsão nas madrugadas são comuns. O mercado das armas corre solto. Quem vende as armas para a juventude periférica?

Nas favelas, policiais apreendem drogas e armas para revendê-las aos próprios traficantes e, depois de matá-los, as vendem novamente. Nenhum governo (mesmo um de “esquerda”), desde a ditadura, tem se preocupado com este processo, ao contrário, tem o levado cada vez mais ao extremo. E muitos partidos de esquerda defendem a ideia absurda da possibilidade de uma polícia cidadã! Uma polícia que não reprima os pobres é um sonho absurdo dentro do capitalismo (FARJ, Da periferia aos centros e de volta a periferia: Chacina da Maré, 2013).

Além do extermínio vindo do lado da repressão, a juventude periférica pobre e negra está se destruindo entre si. Grupos rivais a cada dia aumentam seu arsenal. Se a polícia tem conflito com um grupo, acaba munindo outro grupo para dar continuidade à guerra na periferia. Assim, não é difícil saber de onde vem a pistola Ponto 40.

A nossa arma deve ser apontada para o lado certo e para o verdadeiro inimigo, o sistema. A periferia deve se unir e utilizar seu potencial para auto-organizações combativas e revolucionárias. Os trilhos da transformação devem ser seguidos e o lado sul da Região Metropolitana deve ser linha de frente nesse processo. As PEDRAS no meio do caminho não devem ser retiradas por retirar, elas devem servir de munição para os alicerces da igualdade!

“A campanha pede o desarmamento da periferia
Só que os calibre letais protegem a burguesia”.

Eduardo, A fantástica fábrica de cadáver

“Será mais nobre suportar a injustiça moderadamente ou pegar armas para se contrapor à injustiça? Eu fico com a segunda. Se você pegar em armas, você acaba com ela. Mas se esperar os poderosos acabarem com a injustiça, vai esperar muito tempo. […]Vou me unir com qualquer um, de qualquer cor, desde que você queira mudar a miséria desta terra.”

Malcom X

jan 062015
 

O 1º Sarau Força e Resistência será realizado no dia 10 desse mês em Sobral (CE). A realização é do Movimento Social FOME e conta com nosso apoio (Organização Resistência Libertária) e Apologia do Gueto.

Será mais um momento de Arte e Resistência da Periferia, com intervenções de grafite e “colagens” com nossa crítica social e libertária.

Programação

Sábado – Manhã (10/01/15)

09:00h – Intervenções de grafite e colagens no bairro Vila União.

Sábado – Noite (10/01/15)

18:00h – 1º Sarau Força e Resistência

Músicas com Apologia do Gueto (Smith), Revanche do Gueto, Expressão Cruel e Leandro Mc.

Cinema com a exibição de alguns documentários

E muita Poesia e Literatura com Leandro Guimarães, Biblioteca Ambulante e contação de história com Alexandre Batista.

 

dez 062014
 

DECLARAÇÃO DO V ENCONTRO DO NORTE E NORDESTE DAS ORGANIZAÇÕES ANARQUISTAS ESPECIFISTAS – 2014

“[…] A revolução universal é a revolução social, é a revolução simultânea

do povo dos campos e das cidades”

Mikhail Bakunin

 

Reunidos nos dias 28, 29 e 30 de Novembro de 2014, em Maceió, o V Encontro do Norte e Nordeste das Organizações Anarquistas Especifistas cravaram de forma solida e madura um espaço permanente e fértil para os debates políticos, acúmulos organizativos, fomento da luta, solidariedade e trocas de experiências.

Em nosso V Encontro, recebemos de braços abertos a Organização Anarquista Maria Iêda, de Pernambuco. Em nossa caminhada rumo ao Socialismo Libertário nos agrada saber que em mais um passo que damos outra organização irmã decidiu trilhar o mesmo caminho. Com muita satisfação comemoramos a ampliação da discussão em torno do especifismo na Bahia, e por conta dessa ampliação hoje o Coletivo Anarquista Ademir Fernando – CAAF compõe o Fórum Anarquista Especifista, FAE-BA, processo que está sendo animado em quatro cidades. Com a mesma felicidade e sentimento de irmandade agradecemos também a presença e colaboração da Federação Anarquista do Rio de Janeiro – FARJ em nosso encontro. Os anarquistas especifistas em luta no Norte e Nordeste unidos e de prontidão para a transformação social agradecem as ricas e valorosas presenças em nosso meio.

O evento possibilitou trocas de experiências teóricas, organizativa e social, uma ampla análise de conjuntura, repasses entre organizações e acordos mínimos para continuarmos caminhando em um sentido anticapitalista. Temos a certeza que mais alguns tijolos para o alicerce do poder popular foram firmados.

De pé estamos e lutaremos sem fim diante dessa nossa complexa realidade no Norte e Nordeste, que por si só não se explica, o jogo perverso do capitalismo ultrapassa fronteiras abstratas. Os lugares e suas particularidades estão conectados dentro de uma totalidade complexa e que pautada no espaço e no tempo alguns elementos econômicos, políticos, culturais e sociais são semelhantes e são construídos dentro de contextos específicos em cada Estado. Projetos de dominação e exploração seguem a todo vapor em uma escala mais ampla sem respeitar território ou fronteira e de forma ampla devem ser combatidos.

Ao buscarmos a organização a um nível mais abrangente pretendemos acumular força social para enfrentarmos um conjunto de forças capitalistas e repressoras em nosso cotidiano. Portanto, combateremos sem fim os elementos de dominação apontados por nossa militância nos diversos Estados onde atuam, como exemplo: as oligarquias familiares que dominam o campo e a cidade; os mega projetos/investimentos nas cidades que geram remoções e acúmulo de capital para as grandes empresas; aumento do aparato repressor do Estado e privado; violência contra juventude negra/pobre da periferia; sucateamento da saúde e da educação, um processo de mobilidade urbana elitista que visa o escoamento das mercadorias, rapidez na produção capitalista e lucros para os empresários do transporte; o avanço reacionário da chamada “bancada da bala” e da lógica da democracia representativa em si; o encarecimento dos alimentos a partir da substituição do camponês pelo pequeno produtor de monoculturas orientado para o biocombustível e o nefasto modelo do agronegócio.

Sendo assim, não tá morto quem peleia! 2014 muito fizemos e para 2015 disposição não faltará para avançarmos. Que possamos nos organizar, lutar e criar poder popular para combatermos de frente o dominador. Os mecanismos repressores não cessarão e nossa resposta deve ser firme nas lutas concretas. Organizar já e lutar sempre rumo ao poder popular!

 

Lutar, Criar, Poder Popular!

 

Assinam esta declaração:

Fórum Anarquista Especifista, (FAE) – Bahia

Organização Anarquista Maria Iêda – Pernambuco

Coletivo Anarquista Zumbi dos Palmares (CAZP) – Alagoas

Coletivo Libertário Delmirense (COLIDE) – Alagoas

Organização Resistência Libertária (ORL) – Ceará

Núcleo Anarquista Resistência Cabana (NARC) – Pará

 

set 252014
 

Seminário “Anarquismo, Luta Social e Gênero: a Saída à Esquerda é nas Ruas!”

A Organização Resistência Libertária (integrante da Coordenação Anarquista Brasileira) organizará no próximo domingo, junto com companheiros de várias regiões do Ceará e Piauí, o Seminário “Anarquismo, Luta Social e Gênero: a Saída à Esquerda é nas Ruas!”. Junto a nós estão na organização do Seminário também xs companheirxs do Movimento Social FOME e do Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí (GEAPI).

O objetivo desse primeiro Seminário é o compartilhamento de experiências regionais objetivando a construção de possibilidades combativas de atuação social. É socializar os conhecimentos e práticas de atuação social, linkando atividades práticas de Organização Popular e de fortalecimento dos Movimentos Sociais dentro de um projeto Socialista e Libertário.

Programação:

Sábado 27/09/2014 – Recepção Cultural, às 19h.

Local: Sede do Aparecidxs Politicos (Rua Instituto do Ceará, 164, Benfica)

Domingo 28/09/2014 – Seminário

Manhã (08h às 10h): Movimentos Sociais e Perifeira (Facilitação: Movimento Social FOME – Sobral/CE e Organização Resistência Libertária – RMFortaleza/CE)

Manhã (10h às 12h): Gênero e Anarquismo (Facilitação: Organização Resistência Libertária – RMFortaleza/CE)

Tarde (14h às 17h): A Outra Campanha: trocas de experiências entre os presentes.