set 242014
 

Eleições: A saída à esquerda não é nas urnas, mas nas Ruas!
Elementos da conjuntura eleitoral – Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

O contexto de eleições em nosso país precisa ser analisado a partir de alguns elementos da conjuntura brasileira que procuraremos apontar na presente análise. São aspectos que acreditamos relevantes e em certa medida condicionantes de uma compreensão mais rigorosa das eleições e de algumas conclusões libertárias que no final apontaremos.

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Quando o “Ganha, ganha”, pode se tornar o “Ganha, perde”

O Partido dos Trabalhadores já governa o país há 12 anos, desde 2002. Sua fórmula tem sido a de fortalecer o financiamento aos grandes capitalistas “tupiniquins”, bem como a expansão do crédito pessoal, que por tabela fortalece o mercado consumidor. O governo busca fortalecer os grandes capitalistas e, de quebra, cria empregos e melhora as condições de consumo da massa trabalhadora. Para completar temos ainda programas sociais que atendem a massa, a exemplo do Bolsa Família – “36 milhões de brasileiros foram tirados da extrema pobreza” (DILMA, 2014) e o Mais Médicos – que segundo o governo cobriu 50 milhões de pessoas desassistidas. Toda esta forma de governar tem sido sintetizadas por nossa corrente, no bojo da CAB, como o neodesenvolvimentismo, porque representa uma nova busca pelo desenvolvimento de alguns setores da economia como sua inserção na economia internacional por meio da injeção de recursos públicos (isto é mais intervenção que no período neoliberal), todavia com certa repaginação, pois não podemos comparar essas com as políticas desenvolvimentistas de outrora, afinal o Estado entra mais como financiador do que como agente direto do desenvolvimento, nesse sentido privatizações e parcerias público privadas vigentes da época neoliberal se mantém, quando muito ganham outra roupagem.
O que temos visto, nos últimos anos, são sintomas de certo “cansaço” deste modelo de desenvolvimento e crescimento. Falamos de alguns sinais desse esgotamento em nosso último documento:
“Em relação ao desenvolvimento capitalista, o PT atingiu alguns índices que permitem certa estabilidade e crescimento, como os 4,6% de desemprego, que permitem certa fluidez à economia; afinal, o consumo de massas é um de seus carros-chefes. Todavia, a não distribuição real de renda, ou seja, a socialização da miséria, gera índices de endividamento preocupantes, que prometem desacelerar o consumo de massas e o mercado imobiliário, com um grande risco desse endividamento se tornar inadimplência. As grandes obras e os megaeventos têm prazo de validade, e, quando finalizados, prometem desacelerar ainda mais a economia. O agronegócio, como apontado, está sujeito ao mercado internacional e, por isso, sensível às oscilações econômicas externas. Resta saber, também, até que ponto os bancos públicos suportarão manter o crédito no mercado, sem que o Estado se endivide ou tenha suas contas pressionadas, em especial no que tange aos programas sociais.
Como vemos, temos um modelo econômico que está distante de uma perspectiva transformadora; ele não pode ser assim caracterizado sequer em uma perspectiva reformista. Mesmo no que diz respeito ao equilíbrio capitalista, ele parece estar sustentado em “bases” instáveis, sujeitas a desequilíbrios. ”(CAB, 2014)

Sem ser taxativos e sem buscar fazer do alarmismo e catastrofismo elementos da análise, temos de ficar atentos a alguns movimentos do capitalismo brasileiro, pois certos sintomas de desaceleração e certa instabilidade econômica despontam na realidade, e sabemos os impactos que têm na conjuntura política do País.

O próprio governo de turno (Dilma-PT) , e seu programa eleitoral apontam que seu pilar é, e continuara o mesmo
(…)A competitividade produtiva será atingida por meio dos investimentos em produção e consumo de massa, investimentos em infraestrutura social e econômica, na construção de um Brasil sem Burocracia e nas áreas de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, construindo uma sociedade do conhecimento.”(DILMA, 2014)

Deste modo, não podemos ser otimistas, no sentido de esperar algo diferente nos próximos anos, a despeito de certa desaceleração da economia, teremos mais do mesmo. O próprio governo admite que o PIB que tinha a expectativa de crescimento de 2,5%, deve crescer no máximo 1,8%, o mercado e instituições financeiras apontam para 1,5% (os mais pessimistas instrumentos financeiros 0,52%), sendo que o PIB teve um crescimento de 1,03% no período da crise mundial (2009), como vemos estamos com nossa economia com taxas muito próximas do período de recessão. Claro que esta é uma tendência global, a Economia mundial deve ter expansão de 2,8% este ano. Mais pessimismo se aponta com a dita “recessão técnica”, que aponta para encolhimento da economia do Brasil no primeiro trimestre de 2014, de menos 0,6%. A expectativa de crescimento do Banco Mundial para os países em desenvolvimento em 2014 foi reduzida para 4,8%, ante uma expansão de 5,3% esperada no relatório divulgado pelo órgão em janeiro. Todavia, há de se destacar que dos BRICS o Brasil é melhor somente que a Rússia, nesse sentido passa a ter um desempenho econômico fraco mesmo quando comparado com países de mesmo perfil.
Com todos estes resultados preocupantes, o que vemos nas campanhas, e no próprio programa do PT, é a reafirmação do que foi feito e alguns “avanços” que serão feitos na mesma direção. Parece que viveremos do passado nestas eleições, afinal seus principais adversários são o PSDB, que representa o que de pior temos na política, e o PSB, uma “terceira via” que não traz nada de novo e já aponta que governará em prol do capital. Deste modo não podemos esperar mudanças vindo destes setores, ao menos mudanças positivas no que se refere a população e a economia do País. Assim, o processo eleitoral tem pouco a oferecer nesta área, de um lado o PT que promete reeditar aquilo que vemos patinar, do outro aqueles que governaram o País por anos, e tem governado alguns Estados (exemplo do Paraná, estado que Richa quebrou literalmente, o Estado está sem empréstimos federais e sequer tem dinheiro para abastecer carros oficiais).
Os principais setores da economia nacional sofrem para crescer. O setor automobilístico enfrenta significativa recessão, a produção de veículos é a principal queda na indústria, aponta IBGE no mês de maio de 2013. Em comparação com maio de 2013, setor de automotores recuou 20,1%. A produção industrial registrou terceira queda seguida em maio, com -0,6%. A venda de veículos no primeiro semestre de 2014 caiu 7,33% em relação ao ano passado, aparecendo como pior resultado desde 2010. O varejo tem desacelerado, e dos 8,4% do ano de 2012 (crescimento foi de 2004 a 2012), tem como estimativa para 2014 4%, segundo Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). No setor imobiliário vemos significativa desaceleração este ano também, se em 2013 o financiamento imobiliário aumentou 34% em relação ao período anterior, este ano vemos acrescidos no setor meros 7%, a estimativa de crescimento é de 15% (menos da metade), de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Se o consumo de massa é um dos pilares para o crescimento, tudo indica que está em um processo de decadência, pois os principais setores se encontram em franca desaceleração, deste modo entramos em um momento de enfraquecimento da economia. Tal queda nas taxas de crescimento são reflexos dos índices de endividamento da população, pois na medida em que o crescimento e aquecimento do mercado é fruto da expansão de crédito, e não dos ganhos reais, a tendência que se confirma é o endividamento das famílias. Segundo Roberto Luis Troster, ex-economista chefe da Federação Brasileira de Bancos, a situação em 2013 era a seguinte: 63% da população brasileira possui algum tipo de dívida e 20% de contas atrasadas; 76% destas pessoas têm dívidas no cartão de crédito e o juro médio desse tipo de conta, no Brasil, atualmente se encontra no patamar dos 130%. A inadimplência ainda era baixa, fechou 2013 em 2,33%. Recentemente, um dado no mínimo preocupante revelou que 57 milhões de brasileiros já se encontram inadimplentes, destes 60% dos endividados têm contas atrasadas que superam toda a renda mensal. Outro dado aponta que 53% das pessoas com dívidas possuem até duas contas não pagas no prazo. É necessário observar que este número representa que, do total da população brasileira com 18 anos ou mais (144 milhões de pessoas), cerca de 40% estão inadimplentes. Um cenário de crise não se estabelece devido ao desemprego baixo que gira, de acordo com dados do IBGE entre 4,6% e cerca 5%, que garantem um cenário de pleno emprego.
Como podemos explicar esta desaceleração? Bom já havíamos apontado em uma análise anterior que este modelo de crescimento não era sustentável, em seu sentido de gerar um ciclo de crescimento. Pois nota-se que desde que o PT assumiu, colocou em curso seu projeto neodesenvolvimentista, baseando-se no aumento da oferta de crédito e não da distribuição de renda, o que logicamente leva a população ao endividamento, estagnando, ou ao menos diminuindo a capacidade de crescimento. Anteriormente já havíamos levantado dados recentes que apontam a situação do aumento dos salários no Brasil

“No que tange ao ganho real nos salários, este é muito pequeno no atual cenário. Apesar de que 84,5% das categorias que são monitoradas pelo DIEESE tiveram aumentos acima do INPC, apenas 0,6% receberam aumentos acima de 5%. A maior fatia recebeu entre 0,01% e 1%, somando 34,8% destes 84,5%. Nesta mesma pesquisa, constata-se que 64% tiveram um aumento da ordem de 0,01% a 2% acima do INPC. Em 2012 houve a maior taxa de aumentos acima de 5% do INPC. Isso atesta que o aumento no consumo se deu com a ampliação do crédito e corrobora a afirmação de que não há uma distribuição de renda significativa no país.” (CAB, 2014)

No que se refere o panorama da distribuição de renda encontramos também um quadro não muito positivo:

Enquanto isso, a maior parte da população brasileira continua vivendo com menos de um salário mínimo: trabalhadores com 15 anos ou mais de idade que ganham menos de um salário mínimo somam 26,080 milhões, isso representa que 43% da famílias brasileiras apresentam uma renda per capita inferior à um salário mínimo. (2)
Estes dois elementos quando se defrontam, demonstram a crueldade da realidade brasileira: enquanto 124 pessoas concentram mais de 12% do PIB, 26 milhões de trabalhadores vivem com menos de um salário mínimo por mês.
Mas para manter a aparência de “país rico”, o governo e a mídia disseminam o conceito de “classe média” como se houvesse mesmo, na prática, esse segmento que se diferencia dos pobres e miseráveis. Para o governo, essa “classe média’ abrange a população com renda per capita de R$ 291 até R$ 1019, ou seja, mais da metade da população brasileira pertence à classe média. Mas na prática, o que isso significa? O governo está mesmo redistribuindo a riqueza? Sim e não. Esta renda média está muito abaixo daquilo que o DIEESE aponta como necessário para se ter acesso aos direitos fundamentais, a instituição estipula que o salário mínimo brasileiro deveria ser de 2.621,70 R$ (2013). Percebe-se que, na realidade, o que acontece é que o governo redistribui a miséria. Segundo o IPEA, a pobreza reduziu no brasil de 32,4% para 22,6%, incluindo mais essa parcela da população na classe média, mas os mais ricos continuam da mesma forma, acumulando. Vejam: 1% da população mundial detém 43%da riqueza do globo, e 43% detém 2% da riqueza. (Banco Credit Suisse); apenas 6% dos brasileiros detém meios de produção próprios (IPEA); ou ainda: 1% dosproprietarios de terra brasileiros detém 45% da terra, 90% dos proprietários detém 20%(INCRA). Assim o que aparece como distribuição de riqueza nas afirmações do governo, na verdade se configura como uma dispersão da renda dos mais pobres, enquanto a acumulação dos mais ricos mantém os mesmos padrões, ou mesmo se intensifica, afinal com o crescimento da economia brasileira não contemplando a desconcentração de riqueza, acaba por estes segmentos se afastarem cada vez mais, afinal o crescimento dos mais ricos é assombrosamente maior. (CALC, 2013)

Como vemos, para além da distribuição de riqueza relacionada à população mais pobre, por meio de programas sociais (cujo o carro chefe é o bolsa família), não existe uma desconcentração real de riqueza, o que impede um ciclo contínuo de crescimento.
Em contra partida, os setores dominantes sentem a desaceleração, com um crescimento menor e com menores lucros (menores porque não batem recordes). Entre os bancos vemos na lista de maiores lucros, o Banco do Brasil, um banco público com lucro líquido de R$ 15,75 bilhões em 2013, ficando em primeiro lugar. O que demonstra que a oferta de crédito ainda é responsabilidade do Estado. Na sequência vem o O Itaú Unibanco com lucro líquido contábil de R$ 15,696 bilhões, acima do resultado de R$ 13,594 bilhões registrado um ano antes. Em terceira posição está o Bradesco, com um lucro líquido contábil de R$ 12,011 bilhões em 2013, valor acima dos R$ 11,381 bilhões obtidos no ano anterior. Não à toa vemos a pressão para o aumento da taxa Selic, a taxa básica de juros, pois como vemos tais bancos garantem um bom percentual de seus lucros no Brasil. O Santander, quarto nesta mesma lista, garante quase ¼ de seu lucro somente no Brasil. As classes oprimidas veem seu poder de compra diminuir com seu endividamento e com a inflação corroendo-as. A resposta para conter a inflação tem sido aumentar a taxa de juros, assim de um lado ou de outro quem “perde” é a população (com a alta da inflação ou com a alta dos juros), afinal investir no aumento da oferta não é do interesse dos grandes capitais financeiros. Pois no mesmo momento que governo declarou a diminuição do crescimento do PIB, alertou para um aumento na estimativa da inflação para o ano. Mesmo com desaceleração em junho, ainda batia o teto (de 6,5%) atingindo um acumulado de 6,52% nos últimos 12 meses. Em julho sofre ligeira desaceleração e se manteve por pouco, mas ainda acima do teto 6,51%.
Como vimos o governo continua apontando como modelo de crescimento a expansão de programas sociais, infraestrutura e a tal “competitividade produtiva”. Não vemos nenhum apontamento que o governo ira radicalizar na política de distribuição de renda ou ainda no investimento em setores estratégicos para fortalecer a indústria nacional realmente. O que vemos é que temo uma equação complexa a resolver, como manter o crescimento no consumo sem aumentos reais na renda? Como ampliar ainda mais o consumo e frear a inflação, se para conter a inflação o governo aumentou a taxa de juros para frear um pouco a procura? E mais como modernizar a indústria e o parque produtivo sem investimentos massivos na área ciência e tecnologia (o ápice de investimento é no ciência sem fronteiras, e não na montagem de equipamento em de C & T em solo nacional)? Como segurar capitais sem um disciplinamento dos mesmos (isto é, regulação, pois não há nacionalismo que faça capitalistas segurar o dinheiro em nossa economia)?
É inviável pensar em como atrair mais capitais produtivos para o País com uma taxa de juros de 11%, que favorece o capital financeiro, não à toa a venda de títulos públicos (títulos de dívida) bateu o recorde de R$ 57,97 bilhões. Não à toa a dívida pública volta a crescer 3,4%, chegando aos 2,12 trilhões. Não à toa vemos que as previsões para indústria são de encolhimento de 0,67% (pesquisa Fócus) neste ano de 2014 (a três meses a indústria encolhe). Entre os BRICS deixamos de ser a 4º economia com mais investimentos para passar a ser a 7º.
Qual solução apresenta o Governo? Por óbvio o aumento do crédito, a exemplo inverso do crescimento econômico os desembolsos do BNDES sobem 35% no 1º bimestre. No período, desembolsos chegaram a R$ 28,5 bilhões. Desembolsos para o setor de infraestrutura tiveram aumento de 82%, não à toa vemos que estes são os setores que mais financiam campanhas eleitorais. Não por acaso as contas do governo têm pior resultado para o 1º semestre em 14 anos.
Em junho, houve déficit de R$ 1,94 bilhão, pior resultado desde 1997. A arrecadação tem o pior crescimento desde 2009, isso resultado de desonerações fiscais, em especial a automóveis e eletros. Outro caminho encontrado pela presidente, e citado em seu programa como mais uma solução para o crescimento, são as parcerias público privadas, onde o governo entra com o financiamento (via BNDES), e o setor privado com a “gestão eficiente”, e é claro o lucro, tudo em prol do desenvolvimento. Entraram na onda da privatização portos, aeroportos, rodoferrovias, rodovias e Hospitais. Todas estas medidas para buscar manter as classes dominantes satisfeitas, e por outro lado impedir que as classes dominadas enfrentem o desemprego e achatamento ainda maior em sua capacidade de consumo.
Como vemos a economia enfrenta turbulência, e as classes dominantes ainda continuam a expandir seus ganhos, já ganharam mais, mas continuam ganhando. As classes dominadas vem perdendo o acesso a uma das únicas conquistas que obtiveram junto a este governo: o consumo. Têm percebido pouco a pouco perda de seu poder de compra, afinal endividados não tem condições de contrair mais despesas. Perdem com a alta da inflação, perdem com a alta dos juros, perdem quando o Estado se endivida e investe menos em áreas sociais, o mesmo ocorre quando o Estado arrecada menos, de um jeito ou de outro perde, e paga as contas do neodesenvolvimentismo. Tais aspectos não poderiam deixar de influenciar o panorama político. Afinal quando a política do “ganha-ganha” não é possível, sabemos quem tem de “perder”.

Acabou a festa do crescimento, acabaram os amigos…

Vemos junto das condições de instabilidade econômica, despontar os primeiros questionamentos a cerca do governo. O consenso de classes forjado pelo PT em seus 12 anos de governo, parece se abalar frente a incapacidade de manter um cenário de crescimento econômico. Se este governo já teve avaliações positivas acima de 60%, chegando a 68% em Dezembro de 2010, e mesmo em março de 2013 ainda contava 63% de aprovação, atualmente sua avaliação caiu a quase metade disso, pois em 4 meses a aprovação ao governo caiu nove pontos, de 43% para 34%. Ainda segundo a mesma pesquisa do Ibope (abril) a desaprovação à maneira de Dilma governar subiu de 43% para 48%. Segundo pesquisa do mesmo instituto realizada em julho, gostariam que o/a presidente mudasse totalmente o governo do país: 29%; mantivesse só alguns programas, mas mudasse muita coisa: 41%; fizesse poucas mudanças e desse continuidade para muita coisa: 18%;
desse total continuidade ao governo atual: 10%; e não sabe / não respondeu: 2%. Essa desaprovação ao governo Dilma, que possui influência indireta nas eleições, não consegue, contudo, ser captada por Aécio, mas por Marina, uma suposta alternativa, que como veremos não pode ser encarada como uma “saída”
Como dito, os problemas para reprodução do ciclo de crescimento, e a desconfiança na política do governo já tem seus resultados eleitorais, que se não retiram a estabilidade do governo, fazem o consenso em torno do PT ser atingido. Percebe-se o quão frágil são as conquistas petistas, que garantiram crescimento aos de cima, e acesso ao consumo e emprego (de baixa qualidade diga-se) aos debaixo, que ao demonstrar seus primeiros sinais de cansaço devido o modelo de desenvolvimento adotado, já mostra que aquilo que era tão consensual, talvez não o fosse tanto assim. São os frutos da engenharia do pacto social montada em todos esses anos de governo petista que, ao priorizar e fazer de centro de sua estratégia conchavos e alianças com os setores dominantes acabou deixando de lado a mobilização e organização dos de baixo, enterrando de vez qualquer perspectiva de transformação Socialista.

Sem crescimento econômico: debandada dos de cima… Sem garantia de Direitos: Insatisfação dos de baixo!

Como apontamos, a diminuição na taxa de crescimento aliada a fatores de coerência ideológica tem gerado tensionamentos por parte dos setores dominantes ao governo petista. Muitos deles feitos por meio da mídia, que ataca o PT e busca ampliar o clima de instabilidade, buscando favorecer a “oposição” ao governo, que agora promete modernizar a base produtiva com uma reforma tributaria, isto é sempre menos Estado, no que tange a gestão da economia e direitos, afinal não estão falando de uma reforma tributaria para implementar impostos progressivos. Mesmo a direita entrou na onda de criticar a copa (como alguns apontavam o General Figueiredo não fez a copa), e contrastando os estádios com serviço público.
Como apontamos anteriormente também, se não houve uma mudança radical na distribuição de riqueza também não houve atendimento à população no que tange aos serviços fundamentais. Se observarmos os principais serviços de atendimento a população: educação, saúde, transporte e saneamento, os mesmos não passaram por mudanças significativas, esperadas de um partido reformista. Nem podia ser diferente, se olharmos o orçamento de 2014, 42% são destinados à dívida pública. Somando isso à Lei de Responsabilidade Fiscal, torna-se difícil discutir qualquer mudança, ou reforma que seja. Não surpreende a privatização estar em uma crescente. Vemos recentemente esta noticia: Fusão da Anhanguera e Kroton cria a 17ª maior empresa da Bovespa
“Nova empresa passa a ter valor de mercado de mais de R$ 24 bilhões. Associação cria empresa com quase 1 milhão de alunos.”
(…)
De acordo com o CFM, do investimento federal total de R$ 47,3 bilhões em 2013, os R$ 3,9 bilhões da saúde representam 8,2%. Esse percentual, segundo a entidade, é menor que as fatias destinadas aos ministérios de Transportes (23,3%), Defesa (18,6%), Educação (16%) e Integração Nacional (9,3%).

Como pode-se notar a educação no Brasil continua a ser um negócio, e o aumento do investimento público se dá no setor privado. No ensino superior, por exemplo, veio por meio do PROUNI, que não é nada mais que a privatização de vagas públicas (estima-se que cada vaga no PROUNI custa cerca de 3 nas Universidades públicas). Ainda quando vamos olhar em como se encontra a educação, nos defrontamos com o seguinte panorama

Quando tocamos a situação das universidades, temos uma situação ainda mais crítica no que tange à administração do serviço por parte do poder público. Apenas 11% da população entre 25 e 64 anos de idade atingiu esse patamar educacional, quando o recomendável para nações desenvolvidas é, pelo menos, 31%. Atualmente, ao menos 74% dos estudantes do ensino superior têm de recorrer ao ensino privado, pois as instituições de ensino superior privado correspondem à maior parte deste serviço no Brasil. São 2.112 instituições privadas para 304 públicas. Somente 62% das pessoas com ensino superior e 35% das pessoas com ensino médio completo são classificadas como plenamente alfabetizadas. Segundo pesquisa do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa, os níveis de alfabetização e alfabetização funcional melhoram seu desempenho de acordo com a renda. Percebe-se que o produtivismo imposto à educação brasileira por órgãos internacionais nos anos de neoliberalismo ferrenho, combinado com a falta de atenção naquilo que tange às políticas de bem-estar social (em que renda é somente um elemento) e com uma universalização que não representou aumento suficiente em verbas (por consequência em ganho estrutural e pessoal), gerou uma estrutura sobrecarregada (salas lotadas) com número pequeno de professores, acabando por se converter em uma educação massificada de péssima qualidade. Nosso país não somente tem uma educação de péssima qualidade, como, por conta da expansão via universidades privadas, é incapaz de promover o desenvolvimento tecnológico, pois as privadas não investem em pesquisa e possuem um frágil sistema de produção de conhecimento. O Brasil é responsável por meros 2,7% da produção científica no mundo, o que é pouco para uma das maiores economias mundiais. Não é à toa que somente quatro universidades brasileiras estão entre as 100 mais bem avaliadas dos BRICS. Nessa área, a privatização se estende a todos os níveis, do básico ao superior, seja por meio da privatização de receitas, da estrutura pública ou pela liberalização que transforma um direito em mercadoria.
No recém aprovado PNE (Plano Nacional de Educaçao), grande parte da discussão ficou em torno de orçamento, os famosos 10% do PIB, e 100% do Pré-Sal. Se estas discussões são importantes, não podemos esquecer de pensar na qualidade e gestão da educação, justamente o que mais preocupa no PNE que preve a privatização do sistema de educação de cima a baixo, desde a educação infantil até a pós graduação.
Na Saúde não temos melhores situações em pesquisa recente, realizada pelo TCU aponta que 64% dos Hospitais encontra sempre superlotados, 81% das unidades tem falta de médicos, e 73% das instalações são inadequadas. Em pesquisa ainda deste ano (2014), constatou-se algo que não soa nada estranho frente a este panorama, 93% da população se encontra insatisfeita com o SUS e convênios privados. Recentemente ainda encontrávamos o seguinte cenário

Segundo pesquisa de 2011, cerca de 70% da população se encontra insatisfeita com os serviços prestados pelo SUS. Esse número se refere àqueles que, frequentemente, buscam o serviço. A principal reclamação é de falta de médicos, seguida da demora em agendar consulta ou exame na rede pública (IPEA), que podem chegar, segundo algumas fontes, a 9 meses. Segundo outra pesquisa, cerca de 60% da população usa somente o SUS, enquanto outros 30% combinam o uso do SUS com a saúde privada. Na prática, cerca de 90% da população depende dos serviços do SUS. Ele não obtém aumento real em sua suplementação desde 1994, pois, a inflação no setor de saúde acumulada na última década, de 83,3%, acabou por absorver os 32% de aumento em subsídios no setor. Vemos o atual governo romper somente na retórica com a antiga política privatizante, impondo-a por meio de medidas mascaradas, como no caso das empresas públicas de direito privado (como a EBSERH), que abrem espaço para as privatizações (hospitais de porta dupla) e promovem a mercantilização da saúde (não só no sentido comercial, mas também de submetê-la à lógica da administração empresarial em detrimento do bem-estar. Em nível estadual temos as suas equivalentes, as Organizações Sociais (OSs). Somente apontando esses dados preliminares, sem nos determos à fundo nas estatísticas relacionadas à saúde pública brasileira, é notável que a sua situação é catastrófica.
Ainda no que se refere o saneamento básico, tema diretamente ligado a Saúde Pública, dos 100 maiores municípios, 34 não tem plano de saneamento estima-se que 35,5 milhões de pessoas não acessam o saneamento básico.
No que se refere aos transportes, dos 50 bilhões adicionados por Dilma no orçamento para área, parece que pouco se investiu em transporte para a população. Acabou que a única conquista real da população foi a redução da tarifa nas mais de 100 cidades, e algumas cidades que passaram a garantir o passe livre por meio da força das ruas. Em geral o transporte continua na mão das velhas máfias do transporte, mais do que isso, esse orçamento suplementar caiu na mão de velhas oligarquias. O Cade realizou denuncia de cartéis nas obras de metro em São Paulo, Distrito federal, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Como vemos a situação continua igual ou mesmo pior.
Tais dados revelam a realidade de um Brasil que ocupa a posição de 46° lugar em novo índice que mede a qualidade de vida. O Indicador global IPS avaliou ‘progresso social’ em 132 países. Brasil foi o melhor dos Brics, mas foi superado por outros latinos. O país mais bem-sucedido da região foi a Costa Rica, que apareceu em 25° lugar. Em seguida, vieram Uruguai (26°), Chile (30°), Panamá (38°) e Argentina (42°). Como vemos não necessariamente “País Rico é País sem Pobreza” pois, mesmo em índices de instituições burguesas, aparecemos atrás no que tange a qualidade de vida de países com economias muito menores.

Igual não é, mas também não cai muito longe…

Parte da esquerda desqualifica seu próprio debate apontando que o PT segue a mesma cartilha neoliberal do PSDB. Entendemos que tais afirmativas, para além de serem de certo modo inverdades, desqualificam a esquerda que acaba por afirmar que a realidade promovida pelo PSDB, de privatizações estrito senso, e menos participação do Estado na economia são idênticas por parte do governo PT. Não se pode comparar o atual governo ao período do PSDB, quando somente de 95 a 2000 o desemprego cresceu 155,5%, e o investimento público na geração de emprego declinou 32,2 %. Soma-se que em 2000 o desemprego batia os alarmantes 15%, dos quais hoje estamos distantes. A política de protagonismo econômico do Brasil frente a economia mundial também é um diferencial. O Banco do Brics é um de seus últimos exemplos. A lógica ainda é a lógica capitalista, por óbvio, em especial porque o multilateralismo brasileiro pouco leva em conta as alianças políticas, mas o pragmatismo econômico (basta ver que Rússia e China estão longe de serem países democráticos), e visa em especial criar zonas de influência do imperialismo brasileiro.
Todavia vemos que a lógica privatizante permaneceu (agora sob a égide das PPPs), e que o investimento público, como demonstramos, não atingiu aquilo que espera-se de um governo reformista. Deste modo destacar diferenças não significa capitular ao “melhorismo” do PT, nem mesmo defendê-lo, mas compreender uma reconfiguração dos inimigos de classe. Ou seja, não há como negar que o governo PT se preocupou, de alguma forma, em favorecer a parcela mais precarizada da população brasileira, porém, sempre com políticas dualistas, onde os pobres ganham um pouco e os ricos ganham mais. Exemplo disso são os programas sociais que o governo PT desenvolveu durante sua gestão, como o Minha Casa Minha Vida ou o Minha Casa Melhor que, claramente, são políticas de estímulo ao consumo que visam aquecer o mercado.
Outro tema que vem aproximando o PT do PSDB é a forma como vem sendo tratados os movimentos sociais. Pois a repressão aos mesmos se tornou uma constante, como a judicialização da luta política. Os casos de São Paulo (2 presos) e do Rio de Janeiro (23 indiciados) são exemplares, e, se não são de responsabilidade direta do PT, são realizados com sua benção. Não é raro a guarda nacional e o exército serem acionados para combater movimentos. E mais, o PT foi um dos partidos que mais se esforçou por aprovar o projeto de lei que visava conter os protestos, aderindo mesmo ao projeto da bancada do PDT para acelerar a criação de dispositivos legais para reprimir manifestações. Cabe mencionar que o próprio exército vem sendo mobilizado para investigar manifestantes, algo que desde a ditadura não se via. Parece que estamos a relembrar a onda de terror e medo de investigações massivas, que chegam a absurdos para condenar militantes. A própria anistia internacional interveio no tema dos protestos relacionados à Copa, apontando que o Brasil vinha infringindo o direito a livre manifestação. Isto parece um contrassenso em um governo que tem sua presidente saída dos quadros da luta contra a ditadura, e mais absurdo quando vemos o cinismo da mesma: “Na minha época eramos presos por fazer política”. Tem se tornado lugar comum, os movimentos sociais serem tornados caso de polícia, e temos visto o mesmo tipo de montagem de “farsas” contra movimentos, dignos das épocas mais reacionárias de nosso país, botijões da gás que viram explosivos, livros de determinadas ideologias (em especial anarquistas) que se tornam prova de crimes (como na invasão do Ateneu Batalha da Várzea), mais recentemente ainda camisas, bandanas e suvenires de banda se tornaram prova de crime.
Para criminalizar o protesto, o PT e o PSDB vem contando com o apoio da mesma mídia que o PT acusa de golpista (e realmente o é até hoje, o wikileaks recentemente revelou documentos que revelam ligações de agentes da Globo e Folha de São Paulo a cônsules americanos). Mídia que os governistas apontam como sua principal oposição. Todavia há de se lembrar que se as concessões continuam na mão dos oligopólios da informação, é com a anuência do PT. Governos como o de Chaves e Kichiner revisaram tais concessões. Todos estes processos de criminalização buscam silenciar aqueles que denunciam o “bem estar” tupiniquim, criado por um governo que concede muito aos de cima, e que cede pouco aos de baixo, que precisa se comparar o tempo todo àquilo que existe de pior na política institucional para se situar a esquerda. Não tem existido deste modo menor constrangimento por parte do governo do PT na montagem e sustentação de farsas (é o caso de Tarso no RS) contra os movimentos sociais e na intensificação da repressão e organização de uma máquina de repressão aos movimentos sociais. A criação de bodes expiatórios como mascarados, black blocs, “fascistas” etc., se mostra como a faceta de farsas criadas para abafar as vozes descontentes, afinal a população deve aceitar resignada que o melhor que podemos alcançar em matéria de mudança social é o PT, e que qualquer oposição fortalece a oposição tucana, isto, claro, na visão do governismo. Estas farsas, que sim podem ser aproximadas (guardadas as proporções) aos tempos tucanos, e mesmo dos “anos de chumbo”, de alguma maneira obtiveram êxito em certo esvaziamento das ruas. Porém se a mídia consegue cumprir o papel de confundir, e busca esvaziar as ruas elegendo novos inimigos para colocar no lugar das classes dominantes, criando um antagonismo entre população e militantes/ativistas, estabelecendo as urnas como lócus da política, por outro vemos que o descontentamento e concordância com a necessidade de mudança não muda. Temos de observar ainda que em matéria de direitos humanos, este governo já firmou seu pacto com os setores mais conservadores, demonstrando que não podemos esperar nem as tímidas mudanças sociais que ensaiou o Uruguai, onde se descriminalizou o aborto e o uso da maconha, e mais deixando voltar a tona pautas de direita como internação compulsória para usuários de drogas e a malfadada “cura gay”. O PT é conivente com tais absurdos, pois nos bastidores Dilma já acalmou alguns dos setores mais conservadores da sociedade, (a exemplo de seu “pacto” com os neopentecostais) comprando seu apoio ao trancar pautas relacionadas a liberdades civis e direitos Humanos.
Já não nos defrontamos com o momento em que 8 em 10 brasileiros apoiavam as manifestações (Datafolha, 2013), que dois milhões saíram as ruas, em um contexto onde ocorreu uma manifestação a cada 3 dias na paulista (CET, 2014), não podemos dizer que a população está “acomodada” com a situação. Em uma recente pesquisa mostrou-se que se 73% dos paulistas vêm mais prejuízos do que ganhos nas manifestações, ainda sim 52% dos mesmos apoia as mesmas (Datafolha, 2014), cabe destacar a que pesquisa foi realizada no primeiro dia da greve de ônibus. De São Paulo, Estado mais rico em pesquisas do tipo, vemos que com o início da Copa caem 61%, mas que por outro lado temos 14,5% mais manifestações que em 2013 no primeiro semestre. O que podemos apurar disso, é que se as manifestações estão menores, se tornaram frequentes e parte do cotidiano, o “senso comum” já as compreende como parte da vida política, e isso podemos entender como uma mudança ideológica significativa na consciência dos brasileiros. Se a massa saiu às ruas, os velhos movimentos ganharam nova força em uma conjuntura ideológica mais favorável, vimos greves massivas, sem teto, etc. Por outro lado vemos uma confusão instaurada pelos meios de comunicação, endossadas por nossas personalidades políticas, que demonstram que se não existe uma homogeneidade entre PT e PSDB, as classes que os mesmos representam (ambos disputam a capacidade de representar as classes dominantes) tem uma mesma preocupação, assim passam a existir muitos pontos de contato, talvez o principal é de que os poderosos não gostam da organização e luta dos de baixo, e que seu trato é o mesmo, cooptar quem se pode cooptar, reprimir quem não concordar. Não é à toa que o candidato à presidência do reacionário PSDB (que tem em seu seio desde narcotraficantes, a membros da Opus Dei) não tem problema algum em colocar: “Política e administração pública é você copiar as coisas que dão certos e aprimorá-las. […] Não tenho o menor constrangimento de mantê-los e aprimorá-los [os programas socias do PT]“. Como vemos escolhemos no máximo com qual “molho” vamos ao fogo. O problema é da democracia burguesa, e não dos partidos em questão, salvaguardadas as diferenças, ambos terão que manter a “ordem”, sem ao mesmo tempo alterar nada de fato, pois não se pode distribuir direitos sem mexer na concentração de riqueza. Isso ficou claro nos dividendos políticos gerados na “sala de cima” da política pelo junho de 2013: mais repressão, fortalecimento do aparato militar, farsas e mentiras da mídia encomendadas por estes senhores e senhoras e claro mais recursos públicos paras as quadrilhas que se associam ao poder público.

Uma “Nova Velha” Alternativa

A “fatalidade” da queda do avião de Campos, abriu espaço a uma “nova” e ao mesmo tempo velha conhecida do eleitorado, Marina Silva. Dirigente da Rede Sustentabilidade, sigla que não foi legalizada, como herdeira natural de Campos assume a cabeça da chapa liderada pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro – cujo socialismo resistiu somente na sigla). A fraqueza do PSB e seu programa fica eminente, na medida em que cede sua sigla a uma “forasteira” no partido (afinal Marina apenas aluga a sigla por seu partido, a Rede, estar ilegal) na eminência do sucesso eleitoral. Isso tanto procede, que quando o chefe da campanha de Campos padece, tão logo o PSB anuncia Marina como nova candidata a presidência.
Não podemos deixar de lembrar que Marina, é uma velha novidade, na medida em que fez parte do atual governo. Mas as semelhanças com o passado, não param por ai. Se temos como “velhas” alternativas o PT de Dilma (mesmo lugar da onde saiu Marina) e o PSDB de Aécio, e como novidade a Marina da Rede (travestida de PSB), nos bastidores da política, a realidade é a mesma. Marina tem como grande financiador o maior banco privado do País: o Itaú. Conta com Neca Setúbal como sua estrategista, nada mais nada menos que a herdeira da rede bancária. Como já discutimos, sem enfrentar o capital financeiro que morde boa parte dos recursos orçamentários do país (com a arrolagem da dívida pública), fica difícil pensar em mudanças quaisquer. Quando tem-se o capital financeiro pagando a conta de uma candidatura, é eminente que esta candidatura em nada rompera com o status quo.
Outra mostra de que Marina é mais do mesmo fica por conta de sua prontidão em abrir mão de compromissos históricos seus e de sua legenda (no caso a Rede e não o PSB), que são com a ecologia e a tal sustentabilidade (conceito tão disputado que sem uma longa discussão pouco define, atualmente). Marina já se dispôs a apoiar e financiar o setor do agronegócio (supostamente seus inimigos históricos na pauta ambiental). Se aquilo que era o “coração” do programa de seu partido já se esvaiu na eminência de uma vitória eleitoral, no caso a suposta “intransigência” da ambientalista na defesa do meio ambiente, não podemos esperar que aquilo que está em um segundo plano resista. Deste modo temos uma terceira via que renuncia seu “programa” na primeira oportunidade, que flexibiliza aquilo que lhe é mais caro em nome do pragmatismo eleitoral. Diante de poucas certezas “programáticas” de Marina, a suposta Terceira Via: também representa a vitória do Capital. Entendemos que esses 3 projetos (PT, PSDB e PSB/REDE) representam variações administrativas no marco do Estado e que seguirão ajustados às relações de poder do sistema de controles do capitalismo financeiro. Não podemos nos deixar iludir pelas falsas alternativas; a SAÍDA À ESQUERDA É SÓ UMA.

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As Ruas são a Única Saída à Esquerda

Junho de 2013 nos mostrou que existe certo descontentamento com o governo atual, principalmente pelos setores médios da população. Porém, a esquerda combativa (leia-se esta, a esquerda que luta por fora do poder burguês) tem tido imensas dificuldades de aglomerar todo este descontentamento em termos de organização e construção programática dos de baixo. Nesse sentido veremos setores oportunistas “surfando na onda”, da necessidade de mudança, chamando às “urnas” que são o “verdadeiro” lugar da cidadania (Marina Silva tão prontamente tomou este posto). Mesmo assim, observamos uma disposição da população para com a luta e ação direta, que a muito não víamos. Quando se trata da juventude, aquela parcela da população escolarizada (os dados mostram que em junho a maioria era de universitários), com um perfil etário que não viu as mazelas do PSDB, mas que também não viu o PT em seus áureos anos de combate, tem aparecido com disposição para exigir mais, e isso o próprio PT admite em seu programa para 2014. Segundo a Pesquisa Agenda Brasil Juventude, nove em dez jovens acreditam que podem mudar o mundo, 83% entendem que a política é importante, e destes 45 % ( a resposta mais escolhida) dos jovens entendem “a participação e mobilização nas ruas e ações diretas” são o mais importante, seguido de 44% para “atuação em associações ou coletivos que se organizam por alguma causa”, em terceiro “atuação em conselhos, conferências, audiências públicas ou outros canais de participação deste tipo”, com 35%. Podemos ver que as “ruas” vencem na pesquisa, todavia os instrumentos da Política Nacional de Participação Social, ainda ocupam um bom espaço, assim sendo a cooptação e manipulação da participação popular ainda estão voga, em franca disputa com os movimentos sociais independentes, afinal esta foi uma das últimas cartadas de Dilma para tentar capitalizar a revolta das ruas, a institucionalização do PNPP. Sabemos que este é mais um engodo, não porque discordamos da participação popular, mas porque sabemos que na ordem do dia não serão colocados o orçamento, a dívida pública, mas sim a reforma política, que nada irá alterar, afinal as eleições e nossos representantes são uma das facetas do poder burguês. As relações de poder que garantem os privilégios e dominação das classes dominantes não serão alteradas pelas eleições. Nesse sentido, antes mesmo das eleições começarem, podemos ter uma certeza: as classes dominantes vencerão, e as classes oprimidas perderão, perder com governos que já tem pactuados seus acordos com as elites, os donos do poder, perder quando manipulados se enganarem e verem o poder neste processo, e assim se deixando cooptar pelo processo que somente legitima a Ditadura Burguesa com a áurea de democrática. A única vitória possível pelos oprimidos virá de sua organização e luta, pois mesmo as reformas não virão de uma mágica varinha de condão do Estado, mas pela capacidade de pressão que tem as classes oprimidas. É essa força que faz mesmo o reacionário PSDB aceitar programas sociais (afinal é temperatura da luta de classes que faz a política ceder, e não a benevolência ou consciência subjetiva destes senhores). Nesse ponto concordam PT e PSDB, bem como a classe dominante, o poder não pode se reorganizar, tampouco se democratizar, com reforma ou sem reforma política as eleições ainda serão uma encenação, o “espetáculo democrático”, pois os temas estratégicos para a população somente podem aparecer na ordem do dia por meio de sua ação direta. Junho é uma pequena mostra disso, se arrefecendo o espírito de luta na massa, as pautas das ruas saíram de cena ou fizeram uma metamorfose, se tornando interessantes a burguesia (voltemos ao caso da suplementação orçamentária ao transporte, cujo o dinheiro vem caindo nas mão dos velhos cartéis). PT e PSDB não são iguais, mas ambos são partidos da ordem burguesa que disputam a gestão do aparelho, não um projeto de sociedade. A esquerda “revolucionária” que participa das eleições sequer tem força para disputar o aparelho, e serve como mera legitimação do processo, emprestando-o ares de plural e democrático. As mudanças que se ensaiaram vieram todas das ruas, e somente aí se apresenta uma saída à esquerda para o processo. Seus programas recheados de “boas intenções”, como eles mesmo sabem, sequer tem chances nas eleições minoritárias, menos ainda nas disputas em torno do poder executivo, elucidando mais uma vez que não há “milagre” que substitua o trabalho e a organização de base, demonstrando que sua incansável propaganda (12 anos o PSOL, e 20 anos do PSTU) pouco renderam eleitoralmente ou organicamente. Sequer são capazes de criar um campo de unidade da esquerda, apresentando nas eleições uma esquerda que é minúscula e fragmentada, e que muito pouco pode definir na atual política brasileira.
O terreno ainda é fértil ao nosso campo, que ganha mais espaço público que em outros tempos. Não ao acaso nos tornamos o bode expiatório mais atingido pelas farsas policiais. A população, em especial a juventude, está aberta para discutir uma nova política. Uma “Outra Campanha” nunca esteve tão em voga, afinal o consenso dos Partidos da ordem atual em torno da necessidade de pactuar as classes sociais, e de gerir a miséria capitalista da forma mais “humana” possível, fazem com que as massas olhe com ceticismo o processo eleitoral. Acreditamos que a única saída à esquerda possível é a organização dos de baixo e sua luta direta nas ruas. Apostamos na construção de processos de massas, sem “imposição” de programas “revolucionários” de cima. Afinal vanguardas descoladas não radicalizaram os de baixo por osmose, pois estes constroem seu espírito reivindicativo no dia a dia dos conflitos e das mobilizações.
As Ruas ainda jogam peso no imaginário daqueles que fizeram sua experiência de luta em 2013. O protagonismo político exercido pela população, na opinião dos anarquistas, sempre teve como lócus as manifestações e ações diretas em geral. Diante da realidade, que nos ofereceu uma recente revolta de massas no Brasil, este elemento das Ruas se mantém vivo no imaginário coletivo. Tanto o é que todos os candidatos da extrema esquerda a extrema direita reivindicam o legado de junho. O TRE tenta capitalizar nas urnas a “vontade de mudança”, tentando estabelecer uma disputa de “urnas” versus “ruas”, tentando definir que o lugar da política e da decisão, tem dia, hora e local marcado, estes definidos pelas classes dominantes, que já venceram antes do “gongo soar”.
Para nós Socialistas Libertários, a política dos de baixo não se faz nas urnas, mas no cotidiano do protagonismo de classe e da ação direta. Falar disso no atual momento não significa mais remeter a abstrações ou ao passado “dos anos dourados dos movimentos de massa”, mas remeter a algo que evoca no imaginário coletivo um real exercício do poder do povo. Sem sermos ingênuos acreditando que só ir as ruas basta, sabemos que a falta de organização de base fragiliza os processos de mobilização e facilitam as tentativas de controle pelos dominantes. Deste modo, nossa aposta é nas Ruas como espaço privilegiado da ação política, mas também é a aposta na organização horizontal e de base que fortalece a ação direta, com uma agenda popular que delibera, encaminha e executa seu programa: um programa dos de baixo, que não delega poder a nenhum político de plantão. Ou se vota com os de cima, ou se organiza e se luta com os de baixo!

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Coordenação Anarquista Brasileira – CAB
Setembro de 2014

ago 142014
 

A CONSULTA PELA CONSULTA NÃO VALE NADA, O QUE VALE É A LUTA, O SUOR E A BARRICADA!

De onde vem essa história de Plebiscito?

No início da década de 1990, ou seja, após a derrota de Lula nas eleições burguesas de 1989, grandes encontros para arrebanhar adeptos passaram a fazer parte da agenda da esquerda institucionalizada. Um exemplo destes momentos foi a primeira semana social brasileira (1991), organizada por diversos movimentos, sindicatos, partidos de esquerda, pastorais sociais, acadêmicxs e outras organizações. O Grito dos Excluídos e a assembleia popular foram atividades em que a esquerda institucionalizada (PT, PC do B, CUT, Pastorais Sociais, UNE, diversos movimentos e outros grupos minoritários da esquerda) reforçou o processo eleitoral em algumas edições. A via parlamentar (projetos de lei, audiência pública, etc.) foi reforçada nesse processo, pautaram-se pontos programáticos dos partidos reformistas, principalmente do Partido dos Trabalhadores (PT) e de seus aliados. Nesse contexto de fortalecimento de processos “consultivos”, ou melhor, a consulta pela consulta, a “esquerda” burocratizada traz à cena os Plebiscitos.

No final dos anos 1990 (maio de 1999 no Rio de Janeiro), esta mesma esquerda eleitoreira foi se articulando em torno da organização do tribunal da dívida externa. Surgiu, então, a proposta de um Plebiscito Popular. Foi assim que no ano 2000 (1 a 7 de setembro) se organizou o plebiscito da dívida externa, que tinha entre seus objetivos o fortalecimento para as próximas eleições. A questão sobre a dívida externa era e é um questionamento que sempre vem à tona nos debates da esquerda. No período, o processo de discussão em torno da dívida levantou uma acirrada campanha crítica ao governo FHC e, assim, acabou fortalecendo as bases para a campanha eleitoral de Lula em 2002.

Os plebiscitos organizados pela esquerda partidária institucionalizada tem a finalidade de reforçar uma forte base para as campanhas eleitorais. Portanto, essa nefasta consulta acaba sendo um verdadeiro fim em si mesmo. E por falar em plebiscito, você já ouviu algo sobre? Você sabe o que é um plebiscito? Plebiscito é quando a população vai às urnas para aprovar ou não uma determinada questão que já foi elaborada por alguém. O parlamento, formado por defensorxs do capital, Estado e propriedade privada, decide como vai ocorrer o processo. No caso dos plebiscitos “populares” que ocorrem no Brasil, esse alguém são os partidos reformistas da cúpula governista e seus aliados em momentos pontuais.

Na edição de 2007, o lema do plebiscito que defendia a anulação do leilão da Vale do Rio Doce era: Isto não Vale: Queremos participação no destino da nação. O caráter nacionalista, que impulsionou a consulta de 2007, só demonstrou que a consulta pela consulta é o que não vale. Devemos construir laços para além de nossas abstratas fronteiras e enterrar o discurso de nação. A luta dxs trabalhadorxs é Internacional, buscando acumular força social nas lutas cotidianas, rumo à transformação social e não se restringindo a um discurso de cunho nacionalista, reformista e de reestatização, como era o caso da referida edição.

Nós, da Organização Resistência Libertária (ORL), acreditamos na democracia direta como ferramenta política que busca a contribuição de toda a população de forma assembleária, em que os problemas e soluções são colocados pelo povo numa perspectiva horizontal, de diálogo permanente. Dessa forma, não reforçamos a cultura da urna, a dinâmica pragmática da eleição e a simples consulta, pois não acreditamos que a vontade política das pessoas deve se resumir ao simples voto. Queremos participação direta! Queremos construir o verdadeiro poder popular a partir das lutas populares!

E esse Plebiscito Popular que tanto falam?

A campanha pelo Plebiscito Popular deste ano está sendo puxada por diversos movimentos sociais, centrais sindicais colaboracionista (CUT, CTB e CSP-Conlutas), entidades estudantis (UNE e UBES), pastorais sociais e partidos reformistas (PT, PC do B, entre outros). Um dos pontos abordados para o Plebiscito que ocorrerá em setembro é a falácia da “luta” por uma nova constituinte, que terá seu ponto alto entre os dias 1º a 7 de setembro. Todo o processo de preparação e votação serve para esconder o real desejo da esquerda partidária. Uma assembleia de “representantes” do povo, como é falado em uma cartilha da referida consulta, é o falso objetivo. O verdadeiro anseio dxs defensorxs do parlamento que estarão impulsionando o Plebiscito é canalizar as forças do conjunto da população para a perpetuação da lógica da representação, além de defender uma ideia falida de manutenção de um Estado mais “democrático”. Cravar um alicerce sólido para a sustentação do Estado e seus mecanismos de dominação também faz parte da vontade dos partidos e movimentos que defendem a proposta do plebiscito para uma nova constituinte e uma assembleia de “representantes” do povo.

Temos certeza que não será um plebiscito que resolverá nossos problemas. Não é uma consulta solicitando uma nova constituinte que servirá para a real luta dxs trabalhadorxs. O objetivo deste plebiscito “popular” em ano de eleição é fortalecer o projeto político petista e de outras minorias parasitárias. O plebiscito é parte integrante da agenda eleitoral das burocracias partidárias para 2014.

O Plebiscito da dívida, ALCA, Vale do Rio Doce, reforma agrária e agora o plebiscito da constituinte são plebiscitos que tem algo em comum? Simplesmente todas essas edições não alteraram em nada nenhuma situação questionada! Tal consulta só demonstrou que somente com luta, pressão popular e trabalho social numa perspectiva combativa pode-se alterar a realidade social. Reais mudanças em nossa sociedade, historicamente, só foram conseguidas através de luta, sangue e suor, e não de uma simples votação consultiva.

Esse plebiscito vai mudar nossas vidas?

Entre os diversos motivos que levaram às ruas xs manifestantes em junho e julho de 2013 estão: a falta de saneamento básico, o sistema de saúde precário, um transporte coletivo de péssima qualidade e uma educação deficitária. Fundamentalmente, dois questionamentos também estiveram na boca do povo: a crítica às representações e às estruturas hierárquicas. As duas questões são baseadas em uma forma verticalizada e estão presentes no sistema político partidário brasileiro. As ruas já demonstraram total condenação a essa sociedade desigual, injusta e vertical em que vivemos. Sendo assim, é insuficiente um plebiscito para resolver tais questões/problemas de nosso cotidiano.

Os problemas de nosso povo são muitos e o plebiscito é alheio às nossas necessidades. Vivemos enlatadxs todos os dias por um sistema de transporte mercadológico que só beneficia os monopólios do setor; convivemos com um desenfreado aumento de projetos hídricos que favorecem a dinâmica perversa do agronegócio; somos expulsxs de nossa terra para a expansão do latifúndio e ficamos em imensas filas nos hospitais sem a mínima estrutura. Esses são alguns dos milhares de problemas que afligem a população. Não vamos mudar essa situação através de um plebiscito! Só com LUTA!

Problematizando outra questão injusta, podemos ver o acúmulo do capital financeiro/bancário dentro do capitalismo selvagem. Os bancos têm balanços financeiros excelentes: os lucros dos quatro maiores bancos do Brasil, no primeiro semestre de 2014, somam juntos R$ 10,5 Bilhões. Por exemplo, o Itaú teve um crescimento de 29% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. O governo fecha os olhos para os lucros dos bancos, pois no mercado financeiro seus gestores acabam tirando sua parte, e, nesse jogo selvagem da desigualdade, o aprofundamento da miséria cresce constantemente. As mudanças sociais tão desejadas não virão através de uma simples reforma política, nosso povo já vive governo após governo com míseras reformas.

As classes oprimidas e os combativos movimentos sociais auto-organizados devem discutir suas demandas e se mobilizar para a luta concreta que transforme radicalmente nossa sociedade, fortalecendo mecanismos de democracia direta. A luta cotidiana contra as estruturas de dominação do Estado exige mecanismos de luta que sejam pautados por independência, autonomia e uma perspectiva classista.

Um rápido exercício: Quem escreveu a constituição? Quem são aquelxs que escrevem as leis? Boa pergunta, para entendermos que acabamos não decidindo nada em um processo eleitoral. Quem decide então? Uma minoria de gravata, defensorxs e detentorxs das empresas do agronegócio, das corporações, religiosxs da alta cúpula, especuladorxs de terra, policiais (civil e militar), carcinicultorxs, entre outros. Pois é, são elxs que decidem, inclusive, seus astronômicos salários. Xs trabalhadorxs na suposta gestão do Estado não mudariam o quadro apresentado acima, uma vez que o caminho para uma sociedade igualitária só à luta pode concretizar, o trabalho social continuará e dessa forma, pavimentaremos esse caminho, sem acreditar em ilusões e na falácia das urnas. Como bem lembrado por nossxs companheirxs da Federação Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ), na referência as palavras de Bakunin:

o Estado não é “neutro”, mas uma forma específica de organização das classes dominantes. Assim, xs trabalhadorxs não podem utilizar o Estado como meio para atingir uma sociedade socialista e libertária, pois isso só transformará um restrito setor dxs trabalhadorxs numa nova classe dominante” (LIBERA-FARJ. Nº161, 2014).

Portanto, não acreditamos que um simples voto ou lei possa mudar a realidade, solucionar determinada questão social e muito menos que uma minoria (burguesa ou proletária) possa gestar o Estado para resolver nossos problemas. Que nós mesmos auto-organizadxs possamos resolver nossos problemas!

RUMO A OUTRA CAMPANHA

Acreditamos que podemos transformar a sociedade com nossas próprias mãos, sem intermédio de um político “profissional” que aparece a cada dois anos. Nossas urgências não cabem nas urnas, precisamos lutar por uma Outra Campanha, trilhando de forma combativa para além de qualquer campanha eleitoral ou consultiva. Há muito tempo tentamos resolver nossos problemas com medidas paliativas e simplificamos as coisas votando. Nossas urgências são imensas, a luta e a organização popular são extremamente necessárias. Xs de baixo construindo sua auto-organização, independente de partido, governo, patrão ou igreja é fundamental no processo de transformação social radical

 

 

O diálogo construído nas comunidades de Chiapas pela “La Otra Campaña” impulsionada pelxs Zapatistas no México em junho de 2005, deu o ponta pé para o surgimento de uma experiência popular de construção social a partir dos debates nas diversas comunidades indígenas e camponesas de Chiapas e em outras localidades. Segundo o Subcomandante Marcos:

Com o lançamento da Outra Campanha, os [as] zapatistas se afastaram totalmente desta esquerda ao tentar levar adiante a política por outros caminhos e atores, desde baixo, em que ela não seja o monopólio de um sistema desvirtuado de representação […]” (Subcomandante Marcos. Nem o centro e nem a periferia – sobre cores, calendários e geografias. 2008).

Acolhemos a proposta: A Outra Campanha, criada e desenvolvida pelxs zapatistas no sudeste mexicano. Não acreditamos da mesma forma nessa esquerda tradicional que apresenta as mesmas fórmulas e as mesmas promessas a cada dois anos. Não cremos também em modelos acabados e transplantados de um lugar para outro, a experiência dxs indígenas, camponesxs e guerrilheirxs zapatistas é fruto de um processo de diálogo intenso em que o aprender e o ouvir foram e são elementos essenciais para a continuidade dos debates da experiência zapatista, que apresenta suas características próprias, sua conjuntura particular.

Necessitamos construir espaços e relações sociais que não sejam similares às velhas formas apresentadas pela esquerda tradicional e pela farsa eleitoral e consultiva. A Outra Campanha e sua contribuição para a luta social é uma experiência que temos como horizonte, mesmo com suas fendas e contradições que são intrínsecas a qualquer construção coletiva. Construiremos essa outra campanha, que não é a eleitoral, lutando e criando poder popular de acordo com nossos processos culturais e peculiaridades.

Portanto, não acreditamos na farsa eleitoral nem na simples consulta, seja ela plebiscito, refendo ou as eleições para o legislativo e executivo. Cremos na construção d’A Outra Campanha, na organização popular e na força das ruas para acumular força social. Para impulsionar a luta social, a autonomia e a ação direta, nós da ORL, acreditamos naquilo que o Movimento FOME defende em um de seus materiais, ou seja:

[…] que os movimentos sociais não sejam partidarizados, que não sirvam de correia de transmissão para partidos, organizações ou mesmo grupos e coletivos políticos. Esse tipo de prática que subordina o movimento social aos interesses políticos de uma ou outra agrupação política retira a autonomia do movimento, limita o movimento aos que aderem à politica, ao setor hegemônico, causando um esvaziamento do mesmo” (Fanzine do Movimento Social FOME – Sobral).

Portanto, trabalhamos socialmente ombro a ombro com os movimentos sociais combativos, dialogando incessantemente na construção do poder popular dentro de uma perspectiva classista. Construiremos com esses movimentos nas ruas, na linha de frente e com solidariedade direta. Nem um passo atrás! Avante xs que lutam!!!

PARA ALÉM DAS URNAS E DE QUALQUER FORMA MERAMENTE “CONSULTIVA” PARA O POVO!

RUMO À OUTRA CAMPANHA!

ARRIBA LXS QUE LUCHAN!

LUTAR, CRIAR, PODER POPULAR!

 

jul 162014
 

Prisões e mais criminalização marcam o final da Copa do Mundo no Brasil

 

Desde seu início, a Copa do Mundo foi desastrosa para os setores oprimidos do país. Sua elaboração já indicava a forte censura que sofreriam todos aqueles e aquelas que estão no caminho contrário de suas ações. A Copa, com suas leis e regimentos colocou em situação de risco os precários direitos dos povos do Brasil. A lista de situações de opressões é gigantesca e o desfecho de sua estadia aqui, deixa um “legado assombroso” em termos de criminalização e perseguição política que demonstra a verdadeira face do Estado e do capital.

Sabemos que as críticas que foram feitas a este megaevento surgem com as insatisfações da população em geral e certamente estas insatisfações encontram abrigo maior no seio dos mais oprimidos. A violência contra a pobreza, que já era prática constante dos governos e suas polícias se intensifica neste período e as comunidades padecem nas mãos de uma aparato repressivo e assassino, a população de rua se torna muito mais vulnerável à agressões daqueles que “defendem a ordem”, os ambulantes, os trabalhadores informais são atacados e roubados pela “fiscalização Estatal” para que não possam macular as grandes patrocinadoras e as grandes marcas, as 250 mil famílias que perderam suas casas por contras das obras da Copa também estão sofrendo fortes consequências por parte desta política desenvolvimentista.

É importante destacar que quem mais lucrou com a Copa do Mundo no Brasil foram as empreiteiras, já milionárias e a própria FIFA. Estima-se que faturaram 26 Milhões de R$ somente dos cofres do governo Federal, sendo a Odebrecht participante de quatro estádios. Os empresários lucram, e os governos se beneficiam do “caixa 2” sempre utilizado pelos partidos da ordem, como por exemplo na obra do Maracanã onde o TCE constatou o superfaturamento de 67,3 milhões de reais. Sem falar que tais estádios servem ao entretenimento somente a elite branca do país, como demonstrado em pesquisa do Datafolha no dia do jogo do Chile: 67% dos que frequentaram o jogo se declararam brancos e 90% pertencentes a classe A, contrastando com uma população cuja 49% (9% dos que assistiram o jogo) da população faz parte da classe C, e que tem em sua população 56% de negros e pardos (autodeclarados). Tais dados não deixam dúvidas sobre, para quem foram feitos tais jogos.

Os movimentos populares que desde de 2013, desenham um novo cenário de mobilizações no país sofreram uma crescente perseguição brutal que tenta intimidar e levar até as ultimas consequências as estratégias de criminalização dos anseios populares. As polícias receberam grandes investimentos para melhor agredir a população indignada com as injustiças sociais. A marca constante de todos os governos, desde o início de 2014, no cenário das mobilizações e greves foi a intensa repressão, fazendo das suas investigações e acusações um passo largo para um Estado mais duro no âmbito jurídico e militar. Esse foi o caso das prisões realizadas em Goiânia por um processo de investigação da Policia Civil e em Fortaleza, assim como as prisões de manifestantes em Joinville (SC), realizadas nas manifestações contra o aumento da passagem, onde os detidos (alguns da Coordenação Anarquista Brasileira) agora começam a responder judicialmente tendo que comparecer a diversas audiências. Todo este sistema repressivo encontra o apoio das grandes mídias, com seus monopólios espalhados pelo país, cujos pilares, são importantes instrumentos para essa “caça as bruxas”. Ferramentas potentes de criminalizar e deturpar as lutas que os movimentos sociais fizeram.

Os inquéritos que foram montados são provas cabais da vocação que a justiça e os governos tem para acossar os militantes e seus movimentos políticos. Todas as medidas utilizadas pelas polícias com o aval da justiça são infames. Em 2013 a grande repressão que sofreu as ruas já deixaria muita gente lesada de suas garantias de manifestações, assim como, colocou na cadeia sem prova reais algumas pessoas. Neste ano, com o início da Copa vários estados do país são violados com buscas e apreensões e na última semana apresentam uma lista gigante de mandados de “prisões temporárias” para o Rio de janeiro.

Dezenas de militantes e ativistas são presos e levados para o presídio de Bangu, onde estão detidos. Os argumentos para esta absurda ação são profundamente ideológicos, onde os governos fazem utilização da violência de Estado, como a velha e conhecida política por outros meios. Uma operação que tem como objetivo a privação da liberdade de se manifestar e opinar sobre as questões sociais no país. Uma operação policial que mancha com resquícios de estado de exceção o momento que vivemos. Não é novidade que as polícias apresentam como “provas” contra os manifestantes as opções de classe dos mesmos, com apreensões absurdas de materiais políticos como livros, cartilhas, bandeiras (como na invasão da sede da FAG e nos atuais processos). Montam a partir desta grande FARSA acusações como formação de quadrilha ou mesmo milícia privada para atacar quem se manifesta contra as injustiças sociais praticadas cotidianamente contra os setores mais oprimidos da sociedade.

As medidas tomadas pela (in)justiça brasileira que acata e ordena as prisões é vergonhosa e sabemos que não podemos esperar nada de diferente vindo destas instituições; nossa tarefa é denunciar amplamente o desmanche que esta ocorrendo com os precários direitos dos povos deste país. A escalada de violência policial e a criminalização dos pobres atinge diversos setores da luta sindical e popular, como a demissão de 41 Metroviários em SP e a multa de R$ 355 milhões contra seu Sindicato. Some-se a isso, as recentes 169 demissões dos trabalhadores temporários do IBGE, que estavam em greve e os inúmeros mandados de prisões emitidos no Rio de Janeiro e São Paulo.

Esses inúmeros casos que não param de crescer, nos exigem muita atenção e uma forte campanha de solidariedade entre os setores da classe oprimida. No contexto de prisões e perseguição a esquerda combativa e independente de patrões e governos precisa atuar conjuntamente em denúncia sobre estas tremendas violações.

Precisamos cercar de solidariedade quem esta tendo sua liberdade privada, abrir fortes campanhas para denunciar que hoje, o direito de manifestação e organização que está sendo atacado com fortes golpes de cassetes, balas e gás lacrimogêneo. Precisamos continuar construir alternativas e uma estratégia de massas nesse momento de ataque das classes dominantes. Para isso, é necessário empoderar organismos sindicais de base, movimentos populares e movimentos rurais, independentes de patrões, burocracias e governos.

Que as milhares de pessoas agredidas e assassinadas pelo Estado não sejam esquecidas, para que os grevistas não se sintam sozinhos, para que todos os manifestantes e militantes não sejam mais criminalizados e para que as prisões não fiquem impunes, colocamos nossa modesta, mas convicta SOLIDARIEDADE DE CLASSE e nosso compromisso de denunciar ao mundo estas aberrações cometidas pelos governantes do Brasil, hoje comandados pelo Partido dos Trabalhadores (PT) que acomoda o interesse dos ricos com a forte repressão aos pobres e lutadores.

Continuaremos a luta companheiras e companheiros!

Pela liberdade imediata de todos os presos políticos!

Protestar não é crime!

Não Passarão!

 

 

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

jul 072014
 

PROTESTAR NÃO É CRIME

LIBERDADE A ERIC!

[…] só sou verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, são igualmente livres […] apenas a liberdade  dos outros me torna verdadeiramente livre […]” Mikhail Bakunin

Nós, da Organização Resistência Libertária [ORL], integrante da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB], nos solidarizamos e clamamos pela liberdade do estudante Eric, preso na manifestação da última sexta, dia 4 de julho. Essa prisão foi apenas mais uma tentativa de calar os movimentos sociais combativos de Fortaleza e de silenciar o grito que vem das ruas.

A manifestação do dia 4 foi puxada contra as injustiças da Copa, mas abarcava também outras questões como o Passe Livre. A caminhada teve início horas antes do jogo entre Brasil x Colômbia e tinha como destino final as imediações do Estádio Castelão. O braço armado do Estado (COTAM) forçou o fim do ato detendo mais de 30 militantes. Um ônibus da PM foi chamado para levar xs manifestantes até a delegacia, que estava com o sistema fora do ar, e por conta disso, xs compxs foram liberadxs, primeiro adolescentes e posteriormente adultxs. Mas, Eric acabou ficando preso injustamente, sem direito a fiança, acusado de dano ao patrimônio “público”, desacato a autoridade e a um artigo do estatuto do torcedor.

A violência estatal é sistemática contra aqueles que se levantam contra este sistema repressivo, patriarcal, injusto e desigual. Tão logo, aquelxs oprimidxs que estão de pé na luta contra o regime vigente serão vistxs como uma ameaça à (des)ordem política e econômica estabelecida pelo Estado e pelo Capital. Dessa forma, a prisão de Eric se configura como uma prisão política, assim como muitas outras que foram feitas arbitrariamente nos últimos meses.

Desde Junho de 2013 diversas foram as invasões sem mandado judicial e várixs foram xs presxs políticos. A onda repressiva de um ano pra cá teve início com a invasão na sede da Federação Anarquista Gaúcha (FAG) em Porto Alegre, mais precisamente no dia 20 de junho de 2013. Agentes da Polícia Federal invadiram e apreenderam sem ordem judicial vários materiais de propaganda da organização política.  No segundo semestre de 2013, uma marca que ficou nas manifestações foi a repressão desproporcional, um aparato fortemente armado nas ruas para barrar qualquer forma de protesto.

O governo federal depois de junho de 2013 resolveu municiar as forças policiais e militares para conter qualquer forma de manifestação durante a Copa do Mundo FIFA. Em paralelo, vários mandados de busca e apreensão foram expedidos pela esfera jurídica/Estatal.

No início de 2014 os movimentos sociais combativos das principais cidades brasileiras, principalmente nas cidades que sediariam os jogos da copa, começaram a puxar atos contra a realização da copa. Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre e outras cidades, ascenderam às chamas das mobilizações de rua, que tinha como temática central: Copa, remoções, transporte coletivo e etc.

Outro ponto que mobilizou as manifestações em 2014 foi a tarifa e os problemas que envolvem a concepção mercadológica do transporte coletivo, como o valor altíssimo da passagem, o aumento da tarifa em determinadas cidades e a máfia do transporte.

No dia 22 de janeiro de 2014 a luta permanente contra a máfia das concessões e pela implantação da tarifa zero em Joinville ganhou uma nova página, três militantes que encampavam as respectivas lutas foram presos após retornarem de uma manifestação. Dos três militantes, dois eram do MPL [Joinville] e integravam também o Coletivo Anarquista Bandeira Negra [CABN]. O outro militante integrava a Frente de Luta pelo Transporte Público. Os militantes já foram chamados para uma primeira audiência e aguardam convocação para um segundo momento na esfera jurídica.

A Frente de Luta Pelo Transporte Público de Goiânia também foi fortemente atacada pelos órgãos repressivos do Estado. A luta por um transporte verdadeiramente público em Goiânia ganhou força no mês de maio com fortes manifestações, tendo a juventude periférica e a Frente de Luta como os protagonistas das mobilizações contra o aumento da tarifa, que passou de R$ 2,70 para R$ 2,80. Os monopólios do transporte coletivo com seu lobby junto ao Estado pressionaram para que fosse instaurado um inquérito policial e em caráter de urgência fosse decretado prisão preventiva para diversxs manifestantes que estavam em luta. Três militantes foram presxs no dia 23 de maio, só sendo libertadxs dias depois.

O caso mais emblemático é o do morador de rua Rafael Braga do Rio de Janeiro, que foi preso durante uma manifestação sem nenhuma prova real contra ele. No Rio, além da prisão de Rafael, tivemos a comunidade da Maré privada da liberdade. O terrorismo de Estado, que cercou e invadiu o Complexo da Maré com o claro desejo de prender em seu território a população pobre e negra da Maré, faz parte do “legado” da Copa, que buscou e está buscando controlar as classes oprimidas antes e durante a copa da FIFA. Além disso, a Copa também deixou milhares de famílias removidas, 14 mortxs nas obras da Copa, rios de dinheiro com alta lucratividade para a FIFA e uma imobilidade urbana que favorece o lucro das empreiteiras.

Em Fortaleza, as fortes e intensas manifestações de abril e maio por conta do bloqueio das carteirinhas de estudante levaram centenas de jovens às ruas. As mobilizações agregaram estudantes secundaristas, a juventude periférica e os movimentos que lutam pelo Passe Livre. As batalhas entre a pressão popular e as forças repressivas (Guarda Municipal, Batalhão de Choque da PM e Polícia Civil) criou em Fortaleza um verdadeiro Estado de exceção e sítio, em que esse contexto e a desproporcionalidade entre os sujeitos antagônicos (movimentos sociais combativos versus repressão) levaram nos últimos três meses mais de cento e vinte militantes às delegacias da cidade para assinarem TCO (termo circunstancial de ocorrência). Inclusive militantes da ORL, do MPL (Fortaleza), da Assembleia Anticapitalista, independentes, entre outrxs, todxs tiveram que assinar este termo e aos poucos estão sendo intimadxs a comparecer ao juizado criminal ou a determinadas delegacias da cidade.

Muitxs militantes que foram presxs ou estão sendo investigados já foram intimados para depor. Mas o caso de Eric é diferente, o estudante continua preso pela repressão, preso pela criminalização dos protestos e das classes oprimidas. A prisão do companheiro é um duro golpe para todas e todos que lutam, pois aquelxs que buscam a transformação social logo serão caçados e reprimidos pelo terrorismo do Estado. Não esqueçamos, a prisão de Eric é uma prisão política! A forma de expressar politicamente sua insatisfação com o status quo foi protestando e PROTESTAR NÃO É CRIME!!!

Liberdade para ERIC e para todos os presos políticos!

Pelo fim da polícia militar!

Protestar não é crime!

Organização Resistência Libertária [ORL/CAB] – 07/07/2014

 

jun 222014
 

 

CONTRA A COPA E A REPRESSÃO: SOMENTE A LUTA E ORGANIZAÇÃO!

 

O quadro das lutas e dos conflitos sindicais e populares no país antes e durante a Copa do Mundo, tem pressionado o governo federal, alguns governos estaduais, municipais e as patronais, gerando uma guerra de nervos nos principais centros urbanos do Brasil.

Se no ano passado as grandes mobilizações foram protagonizadas pelos setores precarizados da juventude e não pelos movimentos populares organizados, em 2014, a tônica tem sido e, pelo jeito, continuará sendo dada pela base dos trabalhadores de diversas categorias e por setores próximos e articulados com as classes oprimidas. O desenrolar do conflito dos Metroviários de São Paulo – que durante dias enfrentaram a intransigência de uma das piores expressões da direita desse país (o quadro da organização de extrema direita católica Opus Dei Geraldo Alckmin/PSDB) é um exemplo disto, recebendo a forte repressão policial, todo o jogo sujo dos grandes meios de comunicação e ainda o anúncio de mais de 40 demissões. Os metroviários prosseguem na campanha de readmissão dos 42 trabalhadores demitidos. Chumbo grosso está sendo jogado em cima desses valorosos companheiros/as e em cima de outras categorias atualmente em greve é por isso que precisamos estar atentos a todas as tentativas de criminalização das lutas.

Estado de exceção? Estado de luta e solidariedade permanente!

No marco da Lei Geral da Copa e da Portaria de Garantia da Lei e da Ordem, que configura um verdadeiro Estado de Exceção no país, faz-se extremamente necessária a Solidariedade incondicional do conjunto da esquerda e dos movimentos sociais a todos os conflitos em curso e, principalmente, para os trabalhadores metroviários de São Paulo.

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Há meses, ocorre o aumento dos efetivos policiais e militares nos centros urbanos, bem como em suas periferias e favelas.

Em virtude das jornadas de junho de 2013, temos visto a crescente preocupação do Estado brasileiro em garantir a “tranquilidade” durante o período da Copa. O que, na prática, se expressa em mecanismos jurídicos que rifam direitos civis e liberdades democráticas, intensificação da repressão e da criminalização do protesto e da pobreza, aumento dos efetivos policiais e militares nos centros urbanos, bem como em suas periferias e favelas, assim como os gastos com as tecnologias de repressão. A continuidade das lutas sindicais e populares neste período nos indica que não serão poupados esforços no sentido de conter, amedrontar e impedir que os trabalhadores usem de instrumentos legítimos e históricos para defender seus direitos e arrancar conquistas, como greves, piquetes, ocupações e marchas.

No Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará, por exemplo, mandados de busca e apreensão foram expedidos às vésperas da COPA, com detenção de alguns companheiros/as no sentido de inculcar medo nos lutadores sociais. No Distrito Federal, militantes do Comitê Popular da Copa receberam intimidação de supostos representantes da Justiça Eleitoral não-identificados, um dia antes de um protesto contra os gastos da copa. Em Porto Alegre, vários lutadores sociais do Bloco de Lutas estão sendo processados e intimados. Os próprios metroviários em greve sofreram forte repressão da Tropa de Choque da PM, que usou bombas de gás lacrimogênio, de efeito moral e balas de borracha. Em Goiânia, estudantes da Frente de Luta pelo Transporte Público foram presos de forma arbitrária e somam-se aos inúmeros presos e detidos da luta pelo transporte no país. A lista é enorme e poderíamos estender mais de uma página com casos de intimidação e repressão de norte a sul do país.

O problema do déficit habitacional que é gravíssimo no país, faz o número de ocupações urbanas nas grandes cidades multiplicar-se. A resposta do estado, tem sido defender os especuladores imobiliários, com remoções forçadas. Salvo, quando os movimentos de moradia, saem às ruas denunciando e exigindo avanços, como recentemente em São Paulo.

Temos apontado, em nossos materiais de análise, que vivemos um momento emblemático em nosso país, com o aumento das perseguições políticas a lutadores sociais e organizações políticas, inquéritos com acusações absurdas e descabidas que podem prosseguir para além da Copa do Mundo. Tudo isso coordenado por uma constante guerra psicológica às lutas sociais por parte dos grandes meios de comunicação, destilando seu ódio de classe e suas mentiras na expectativa de construir um consenso conservador que reforce a ideia de que a questão social é um caso de polícia. O período da Copa confirma a continuidade desse cenário. Em comunicado nacional, no dia 10/06, a presidenta Dilma Rousseff diz que essa será a “copa da tolerância, da diversidade, do diálogo e do entendimento”. Uma clara reafirmação do atual pacto social empregado pelo atual governo com a burguesia e sua base de sustentação, tanto em termos partidários como dentro dos movimentos sociais que hegemoniza, como é o caso da CUT por exemplo.

Enfrentar a repressão: organizando e lutando!

O período que estamos vivendo tem demonstrado a verdadeira face do sistema de dominação capitalista, que não será transformada com a troca dos governos de turno. Quando os de baixo se movem, os de cima tratam de pôr em funcionamento toda ordem de mecanismos coercivos, repressivos e de intimidação para frear as lutas. A repressão é e sempre será a carta na manga das classes dominantes e do Estado, a carta que derruba todas as demais e impõe a “paz social”. A violência dos de cima é constitutiva das estruturas de dominação do capitalismo e, portanto, nunca será uma exceção no atual sistema. Ela é regra que contribui para manter operando as relações de poder e dominação funcionais aos privilégios das classes dominantes.

É certo que a natureza das mobilizações, muitas delas à revelia das direções sindicais e das estruturas oficiais do sindicalismo “tradicional”, nos pede que avancemos para formas de organização, desde a base, que façam da experiência de luta de milhares de trabalhadores, moradores das periferias urbanas, pobres do campo e estudantes um critério para apontar o que serve e o que não serve ao protagonismo e ação direta desses lutadores. Isso implica reforçar e construir movimentos populares e organismos de base sindical combativos e independentes para dar força social aos oprimidos e oprimidas, linha política que a CAB tem modestamente se dedicado a construir em diversos setores de luta. As experiências das lutas de 2013 e dos recentes conflitos têm sido as que melhor têm produzido uma ideologia combativa, de luta e de enfrentamento. Não é hora de recuar mas sim, hora de dar qualidade organizativa!

Enfrentar a repressão lutando para que esse novo período de lutas, aprofunde os níveis de organização.

Dar qualidade organizativa na criação de organismos de base.

Mais uma vez, a hora é de solidariedade permanente, porque permanente é a luta e onde há dominação há resistência! Onde há resistência, luta e organização de base, há sementes sendo plantadas para a construção do Poder Popular.

O momento é de enfrentar a repressão lutando para que esse novo período de lutas contra as forças da ordem aprofunde os níveis de organização e consciência dos de baixo para superar o medo que a classe dominante seu governo de turno desejam nos impor.

Toda Solidariedade à greve dos metroviários de São Paulo! Pelo Direito de Greve!

Pela readmissão dos 42 metroviários grevistas!

Pelo fim da detenção e das intimações dos lutadores!

Contra a repressão promovida pelos de Cima, a luta, a greve e a organização dos de Baixo!

Fortalecer o movimento sindical e popular com democracia direta, independência de classe e governos!

Protestar não é crime!

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)

jun 112014
 

 

NOTA DE SOLIDARIEDADE DA CAB AOS METROVIÁRIOS DE SÃO PAULO SINDICATO DOS METROVIÁRIOS DE SÃO PAULO

 

Nós da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB), apoiamos a justa greve dos metroviários de São Paulo, não apenas por melhorias nas condições de trabalho mas em defesa da mobilidade urbana e de um serviço público de transporte gratuito e sem catracas. Acreditamos que os últimos acontecimentos, principalmente os que ocorreram no dia de hoje, são fundamentais para entender o atual estágio de perseguição aos movimentos sociais, populares e sindicais no Brasil, assim como também o atual estágio de desenvolvimento da luta de classes em todo o território.

Sobre as demissões, é inaceitável que o governo do Estado de São Paulo, na figura do Secretário de Transportes, Jurandir Fernandes, demita 60 funcionários do metrô por “justa causa”, alegando que os mesmos estariam envolvidos em atos ilícitos como quebra de patrimônio ou desrespeito às regras de trabalho, quando fica claro que essa medida é um ato de repressão aos grevistas, perseguição política e meio de intimidação aos outros trabalhadores que continuam firmes em sua greve. O mesmo governo que trata a greve como ilegal e abusiva recorrendo à justiça burguesa do TRT, também desrespeita a lei 7.783/89 em seu art. 6º, § 2º que diz: “É vedado às empresas adotar meios para constranger o empregado ao comparecimento ao trabalho, bem como capazes de frustrar a divulgação do movimento”. Fica claro então que o governo não está de fato preocupado com a legalidade, deixando claro a postura de perseguição e criminalização dos trabalhadores.

Continuaremos apoiando as lutas dos metroviários desde os setores em que atuamos e que já estão em luta constante por um sistema público de transporte gratuito, assim como na defesa das lutas da classe trabalhadora e desejamos a Fraterna Solidariedade aos companheiros que sofrem nesse momento intensa perseguição política.

Nenhuma demissão será aceita!

Construir o poder popular, pela força das ruas!

Protesto não é crime!

COORDENAÇÃO ANARQUISTA BRASILEIRA – CAB

 

 


maio 272014
 

A Organização Resistência Libertária [ORL] surge a partir da articulação entre estudantes anarquistas que naquele ano tinham participado das lutas pela ampliação da isenção do vestibular da UFC e da ocupação da reitoria da mesma universidade contra o REUNI, e ex-membros dos extintos Coletivo Ruptura e Comuna Libertária, que há algum tempo vinham acumulando discussões em torno da necessidade de uma atuação organizada dos anarquistas junto às lutas e movimentos sociais. Foi exatamente este o ponto inicial que possibilitou a convergência entre estas duas levas de militantes e a formação de uma organização em torno de objetivos políticos, métodos de atuação e forma organizacional comuns.

Somos uma organização específica de anarquistas, resultante da livre vontade de indivíduos de unir e coordenar seus esforços de forma horizontal e autônoma, pautados na liberdade e na responsabilidade individual e coletiva, no apoio mútuo e na democracia direta, com a disposição de militar socialmente, visando contribuir para a construção de experiências de organização e de lutas sociais com perspectiva anti-capitalista.

Cientes de que sob a denominação de anarquistas, albergam-se as mais variadas e contraditórias concepções, assumimos o anarquismo social como perspectiva política, pois no nosso entender não é possível que enquanto o capital segue avançando de forma destrutiva sobre todos os aspectos da vida e demonstra-se a cada dia mais incapaz de gerir suas próprias contradições, os anarquistas recolham-se em organizações separadas das lutas sociais ou em qualquer tipo de anarquismo anti-organizacional, individualista ou de “estilo de vida”, abstendo-se da capacidade de questionamento e de crítica social, no duplo sentido de expor os limites da sociedade capitalista e também de apontar perspectivas teóricas e práticas de luta visando sua superação. Este recolhimento para nós não seria outra coisa senão uma auto-condenação à insignificância e à impotência diante de um mundo que impiedosamente desmorona sobre nossas cabeças.

Nosso ponto de partida é, portanto, a negação de um sistema social que sem qualquer consideração pelos interesses e pelas necessidades humanas concretas submete os recursos naturais, técnicos e os próprios seres humanos ao processo de transformação de dinheiro em mais dinheiro (valorização do capital); que concentra cada vez mais poder econômico e político nas mãos de um punhado de senhores do mundo, ao mesmo tempo em que elimina para uma parcela cada vez maior da população mundial as condições mínimas de existência e ameaça devastar as bases naturais para a continuidade da vida no planeta. No mundo dominado pelo capital, liberdade, igualdade, democracia e sustentabilidade não passam de slogans auto-promocionais cínicos e irrealizáveis.

Se durante muito tempo a luta pela superação do sistema do capital foi “carinhosamente” deslegitimada como sendo uma doce utopia, hoje esta luta assume a forma de uma necessidade cada vez mais real e universalmente válida. O capitalismo não tem nada mais a nos oferecer além de crises, desemprego, miséria, fome, violência, destruição ecológica. Acreditar que ainda seremos capazes de permanecer nessa situação por muito tempo é o que merece ser condenado como uma amarga utopia. Portanto, não se pode deixar de reconhecer que os desafios são imensos.

Os problemas que o capitalismo nos impõe atualmente atingiram dimensões tão amplas e profundas, que seria no mínimo ingenuidade esperar que possa haver soluções imediatas ou que seja possível fazer frente a ele com pequenas iniciativas isoladas e inconstantes. A situação exige muito mais fôlego e necessita de outros esforços!

O capitalismo não é nenhum castelo de cartas que desmorona ao mais leve toque, é pelo contrário, o sistema de dominação social mais poderoso e abrangente da história. Por isso, defendemos que as lutas sociais assumam um caráter anti-capitalista e empreendam uma ofensiva com dimensões sociais cada vez mais amplas e radicalizadas, no sentido da construção de experiências de contrapoder, coordenadas em redes cada vez mais extensas e capazes de dotar-nos hoje da capacidade de enfrentamento e imposição contra a força social do capital e do Estado, e ao mesmo tempo sirvam como aprendizado prático e como formas preparatórias de uma sociedade auto-organizada e auto-gerida nos aspectos econômicos, políticos e sociais.

Estamos convictos de que nenhuma mudança social emancipatória pode ser o resultado da ação de pequenos grupos isolados, de vanguardas políticas ou indivíduos iluminados. Por isso, nossa disposição de atuar nas lutas e movimentos sociais não visa de forma algumas dirigi-los, controla-los e submete-los a interesses que lhes sejam alheios. Pelo contrário, assumimos abertamente o enfrentamento às práticas vanguardistas, burocráticas, eleitoreiras e alienantes que tão bem caracterizam os partidos políticos da esquerda oficial e caçadora de votos, as seitas marxistas doutrinárias, os burocratas sindicais e outros oportunistas e disciplinadores da luta social.

Também não temos como objetivo ideologizar os movimentos, tornando-os anarquistas (muito menos assumir uma postura paternalista ou o papel de tarefeiros!). Nosso objetivo é contribuir, por meio do diálogo e da troca de experiências, para que as lutas e movimentos sociais possam ultrapassar o caráter meramente reivindicativo e possam desenvolver a combatividade, a autonomia, a capacidade de auto-organização e a democracia direta.

Ultrapassar os limites meramente reivindicativos das lutas e movimentos sociais, não significa abster-se da construção de projetos alternativos que concretizem conquistas e melhorais reais nas condições de vida das pessoas. Visto que a autonomia, a auto-organização e a democracia direta não podem existir sem campos concretos de experimentação, as lutas por conquistas imediatas devem servir como experiência e aprendizado.

É na luta que se aprende a lutar! Ela deve ser a grande escola na qual se aprende a reconhecer os inimigos e a caminhar entre os comuns; na qual se aprende a participar e decidir, num processo contínuo de diálogo, de educação e construção de experiências. Uma ruptura com o sistema de dominação social capitalista não pode dar-se de forma imediata e espontânea. Ela só pode ser o resultado de um longo e difícil processo de aprendizado forjado em lutas concretas, cheias de contradições, de avanços e retrocessos, e que dependem, ao fim e ao cabo, do grau de protagonismo popular e da radicalidade de seus objetivos.

Os grandes só são grandes porque estamos de joelhos. Levantemo-nos!!

Organização Resistência Libertária [ORL]

maio 012014
 


Reproduzimos abaixo um texto exemplar para pensar a data do Primeiro de Maio e sua importância para as lutas sociais. Os créditos da transcrição do texto são dxs companheirxs do Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí, que vem realizando a importante tarefa de estudo, tradução e difusão do pensamento anarquista. Para mais informações sobre o GEAPI ver http://anarquistas-pi.blogspot.com.br/


FESTA OU PROTESTO?

O texto disponibilizado é uma matéria do jornal A Voz do Trabalhador – Órgão da Confederação Operária Brasileira – Ano I, n° 10, dia 1° de maio de 1909.

Como deve ser compreendido o 1° de maio por todos aqueles que trabalham, por todos que através dos tempos tem passado uma vida infame e cheia de miséria?

Sim! Todos os que passaram longos anos executando um trabalho extenuante, sem nunca terem alcançado um pouco de bem estar servindo toda a sua vida à classe capitalista, como devem eles comemorar o 1° de maio?

Creio que todos os trabalhadores nesse dia devem protestar energicamente contra esta ordem de coisas, demonstrando a toda essa gente a hipócrita tirania, que não estão dispostos a aceitar a fome, a miséria, em paga do seu esforço, feito em benefício de meia dúzia de bandidos sanguessugas da humanidade, mas sim a lutar energicamente em prol de uma vida mais livre, onde o seu esforço represente unicamente a sua própria vontade; e do qual possam obter o necessário para a completa satisfação das suas necessidades; compartilhando assim do progresso humano para o qual a completa satisfação das suas necessidades; compartilhando assim do progresso humano para o qual concorrem na medida das suas forças.

Esse dia, deve ser de revolta, e não de festa; digo de revolta, porque creio ser necessário revoltarem-se todos os seres que mourejam diariamente dentro das oficinas, das fábricas, nas minas e nos campos, contra essa sociedade nefanda, que procura artimanhosamente escravizar-nos, negando-nos o direito que nos assiste de gozar de todas as riquezas que a natureza possui, e das quais nós tratamos! Digo que não deve ser de festa, porque festejar o trabalho na atual sociedade seria o mesmo que festejar a nossa escravidão, a miséria que nos avassala, equivaleria a dizer que estamos contentes com esta corrente tirânica que nos oprime e satisfeitos com o jugo aniquilador que nos faz curvar sob o seu peso.

É preciso que todos os oprimidos se rebelem contra a organização atual, é necessário que demonstrem francamente o que seu descontentamento por toda essa miséria que invade os lares daqueles que duto produzem e nada gozam; que todos os proletários com palavras vibrantes ponham bem visível o seu ódio a todos esses cancros sociais.

Quando toda essa legião de seres humanos assalariados pelo capital, se unam para acabar com todas essas infâmias praticadas por essa classe escravocrata que se apoia na inconsciência das criaturas incultas, faltas de experiência própria, para poderem compreender os direitos que lhes assistem na terra.

Todos os operários conscientes devem por em relevo perante os que menos compreendem, que acima de tudo devemos considerar a liberdade sobre a terra, pela qual temos que lutar; lutar sem tréguas, até adquirirmos tudo o que por direito nos pertence, e que até hoje nos tem sido extorquido pela infame e degenerada sociedade burguesa.

O homem só será feliz quando for “livre sobre a terra livre”; assim escreveu não sei quem, não me lembro agora, mas aceito esse pensamento como lógico e verdadeiro, por que nele se encerra toda a felicidade da vida.

Eurípedes Floreal

maio 012014
 

ana

DECLARAÇÃO DO Iº ENCONTRO ANARQUISTA ESPECIFISTA DA BAHIA

As jornadas de junho demonstraram a insatisfação popular com a democracia representativa e a falência das instituições do estado burocrático, representada pela política dos partidos tradicionais, no momento em que as demandas populares não foram atendidas. O Estado mostrou sua capacidade de assegurar os interesses do Capital, respondendo os anseios populares com truculenta repressão. A Bahia vivenciou ricos momentos de ação popular autônoma, com manifestações em diversas cidades do estado. Para o anarquismo, esse processo abriu novas possibilidades do ‘fazer’ político junto com o povo, fomentando novos valores de democracia direta e do Poder Popular. Foi diante dessa conjuntura que, nós anarquistas, lutamos e fortalecemos o protagonismo das ruas.

É na retomada da militância do anarquismo organizado na Bahia, que propomos a construção de uma organização específica anarquista que abarque a tarefa de trilhar o caminho rumo a uma sociedade justa e igualitária. É sobre essa perspectiva, que ampliamos a construção do anarquismo, a partir das experiências do Vermelho e Negro e do Coletivo Anarquista Ademir Fernando (CAAF). Ambos processos incentivados pela construção do anarquismo no país, através da Coordenação Anarquista Brasileira (CAB). Levados por esses anseios, realizou-se o encontro pró-organização do anarquismo na Bahia, que reuniu diversos militantes do estado, para definir estratégias e programas comuns na consolidação do especifismo.

Convidamos a tod@s @s militantes que afinam com a proposta do anarquismo especifista na Bahia, a somar-se na luta pela construção de uma nova sociedade.

Bahia, 26 e 27 de abril de 2014

Email: caaf@risuep.net

coletivoanarquistaademirfernando.blogspot.com

maio 012014
 

Segue abaixo nota da Coordenação Anarquista Brasileira [CAB] enviada como saudação ao Ato do Primeiro de Maio realizado pelos companheirxs da Federação Anarquista Uruguaia (FAU).

Veja a versão da nota em português logo abaixo da versão em espanhol.

 

 

 

Saludos internacionalistas al Primero de Mayo, del luto a la lucha!

Compañeras y compañeros de la Federación Anarquista Uruguaya, la Coordinación Anarquista Brasilera viene, a través de este mensaje, saludar el dia Internacional de La Memória y de Lucha de los Trabajadores y Trabajadoras.

El año que se pasó fué particularmente importante para nosotros, anarquistas y trabajadores y trabajadoras de la Coordinación Anarquista Brasilera. Con el, manifestaciones masivas ha resurgido que tomaron las ciudades brasileras de norte a sur. Estas manifestaciones llenaron de esperanza a la lucha popular y señalaron los límites de un proyecto de dominación y de expansión del capital que oprime y masacra a los/las de abajo. Este proyecto se presenta hoy de una manera cruel, con sus efectos adversos. Mata a las trabajadoras y jóvenes negros en las favelas y periferias, impone el terror de los terratenientes en el campo y en contra los pueblos indígenas y quilombolas (afrodescendientes), y no más, reprime brutalmente a los que aún resisten. Es este el proyecto que también lleva a cabo el translado de ocupaciones urbanas en varias ciudades brasileras, que solo aumentan la explotación del trabajo y intenta vender la imagen de que “Brasil es un gigante que va bien”.

Sin embargo, nosotros, los y las de abajo, sabemos que para los trabajadores y trabajadoras nada va bien! Sabemos que los lucros de la Copa del Mundo de fútbol y los Juegos Olímpicos, que se celebrará en Brasil, se están produciendo sobre la explotación y la represión. Y que los grandes empresários se benefician con el sudor de los verdaderos productores de la riqueza.

Vale a pena recordar, en esta fecha, que los proyectos de dominación en nuestro continente no son nuevos. En este mes y neste año, la dictadura empresarial-militar implementada en Brasil con el golpe de 1964 hizo exactamente 50 años. 50 años en que la clase dominante, con la acción decisiva de los militares, puso Brasil en una noche oscura que duró veintiún años. Somos hijos de esta historia, que en su hilo, encuentra la lucha de las/los que pelean en diversos momentos historicos de resistencia.

Concientes del papel del anarquismo en la lucha popular y en nuestra Sudamérica, nosotros de la Coordinación Anarquista Brasilera reforzamos acá la solidaridad y los lazos de organicidad con nuestras compañeras y compañeros de la FAU. Porque sabemos que la globalización del capital encontrará puños fuertes y cerrados de la internacionalización de nuestra lucha. Para que no se repitan más tragedias del capital.

Para que la memoria de los Mártires de Chicago sea recordada para siempre como un día de lucha!

A los Mártires de Chicago y a todos y todas que se fueron combatiendo las dictaduras del capital de ayer y de hoy, queda nuestro mensaje: NINGÚN MINUTO DE SILENCIO, PERO TODA UNA VIDA DE LUCHA!

¡Viva el Primero de Mayo!

¡Viva el Internacionalismo de los Trabajadores y de las Trabajadoras!

¡Viva la FAU!

¡Vivan los Mártires de Chicago!

 

Coordinación Anarquista Brasilera (CAB)

 

 

VERSÃO EM PORTUGUÊS

 


Saudações internacionalistas ao primeiro de maio, do luto à luta!

Companheiras e companheiros da Federação Anarquista Uruguaia, a Coordenação Anarquista Brasileira vem, com esta mensagem, saudar o dia Internacional de Memória e Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras.

O ano que se passou foi particularmente importante para nós, anarquistas e trabalhadores e trabalhadoras da Coordenação Anarquista Brasileira. Com ele, ressurgiram manifestações massivas que tomaram as cidades brasileiras de norte a sul. Essas manifestações encheram de esperança a luta popular e apontaram os limites de um projeto de dominação e de expansão do capital que oprime e massacra as/os de baixo. Esse projeto se apresenta hoje de maneira cruel, com seus efeitos nefastos. Mata trabalhadoras e jovens negros nas favelas e periferias, impõe o terror dos latifundiários no campo e contra os povos indígenas e quilombolas, e, ainda, reprime brutalmente os que resistem. É esse projeto que também implementa as remoções de ocupações urbanas em várias cidades brasileiras, que aumenta a exploração do trabalho e tenta vender a imagem de que o “Brasil é um gigante que vai bem”.

Porém, nós, os e as de baixo, sabemos que para os trabalhadores e trabalhadoras nada vai bem! Sabemos que os lucros da Copa do Mundo de futebol e das Olímpiadas, que serão realizados no Brasil, estão sendo produzidos sobre a exploração e repressão. E que os grandes empresários estão sendo beneficiados com o suor dos verdadeiros produtores da riqueza.

Cabe lembrar, nesta data, que os projetos de dominação no nosso continente não são novos. Nesse mês e nesse ano, a ditadura empresarial-militar implementada no Brasil com o golpe de 1964 fez exatos 50 anos. 50 anos em que a classe dominante, com a ação decisiva dos militares, colocou o Brasil numa noite escura que durou vinte e um anos. Somos filhos dessa história, que, em seu fio condutor, encontra a luta de lutadores e lutadoras em diversos momentos históricos de resistência.

Conscientes do papel do anarquismo na luta popular e em nossa América do Sul, nós da Coordenação Anarquista Brasileira reforçamos aqui a solidariedade e os laços de organicidade com nossas companheiras e companheiros da FAU. Porque sabemos que a globalização do capital encontrará punhos forte e fechado da internacionalização de nossa luta. Para que não se repitam mais tragédias do capital.

Para que a memória dos Mártires de Chicago seja lembrada para sempre como um dia de luta!

Aos Mártires de Chicago e a todos e todas que se foram combatendo as ditaduras do capital de ontem e de hoje, fica nosso recado: NENHUM MINUTO DE SILÊNCIO, MAS TODA UMA VIDA DE LUTA!

Viva o Primeiro de Maio!

Viva o Internacionalismo dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!

Viva a FAU!

Vivam os Mártires de Chicago!

 

Coordenação Anarquista Brasileira (CAB)