nov 032011
 

“A REVOLUÇÃO É IMENSA… MAS OS HOMENS SÃO INFINITAMENTE PEQUENOS.”

Resposta da Organização Resistência Libertária (ORL) à sociedade, aos lutadores anarquistas por todo o Brasil e à intitulada “Carta Aberta de Desligamento do Camarada Macarrão…”, ex-militante da ORL.

 

A Organização Resistência Libertária (ORL)[1] é uma organização política anarquista que teve seu início no ano de 2008 e se insere no panorama da luta de classes no Brasil, ao lado de organizações parceiras reunidas em torno do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO). Ao longo deste período, estivemos inseridos em diversas lutas nos setores popular, sindical e estudantil, contribuindo com nossa militância no sentido de impulsionar os movimentos sociais com os quais tivemos e temos relações, visando alavancar a luta organizada e autônoma do nosso povo. Nossa organização tem como perspectiva ser uma ferramenta inserida nos movimentos sociais, atuando no sentido de contribuir, através de nossa militância, por meio do diálogo, da troca de experiências e da participação ativa, para que as lutas e os movimentos sociais possam ultrapassar o caráter meramente reivindicativo e desenvolver a combatividade, a autonomia, a capacidade de auto-organização e a democracia direta.

É importante fazer esta introdução na medida em que temos uma recente trajetória de organização e alguns setores nos conhecem há pouco tempo, ou ainda não conhecem nossa Organização Política. Ainda, na medida em que pesam sobre o Anarquismo várias definições preconcebidas e preconceituosas, utilizadas ao longo da história para detratar nosso movimento e a organização libertária dos oprimidos e explorados deste mundo. A Anarquia nada mais é do que uma sociedade onde inexiste o privilégio e a exploração do homem pelo homem. Uma proposta de organização social na qual reside a igualdade política e econômica de todas e todos organizados sobre novas bases sociais de existência humana. Uma sociedade cujo poder do povo é efetivamente autônomo e soberano, na qual a autogestão o princípio fundador do modelo de organização e a democracia de base e a ação direta se contrapõem à representatividade burguesa. É rearranjando, assim, a sociedade de “baixo para cima” e não de “cima para baixo” como na atual ordem do Capital e do Estado, cujas funções se resumem a manter a desordem atual, a exploração e o estado de miséria organizada no sistema que denominamos capitalismo.

Ressaltamos ainda que, apesar de sermos uma organização política, nos diferenciamos da prática ligada historicamente aos grupos políticos que conhecemos como “partidos” – uma das formas possíveis de organização política –, inseridos nas correntes de direita e de esquerda, adeptas de um discurso revolucionário ou não. É imprescindível esse prelúdio, tendo em vista que em todos os setores em luta aparecem múltiplos atores em cena, e, dentro destes, um emaranhado de Partidos Políticos organizados para defender seus interesses no seio de cada categoria e cada movimento organizado. Alguns o fazem com vieses mais democráticos, outros com posturas mais vanguardistas e autoritárias. Nesse ponto, nossa prática política se diferencia: a ORL se pauta pela democracia direta e horizontalidade das relações como forma de debate e deliberação, seja no interior da organização, seja em nossas relações políticas com os movimentos sociais.

Tentamos nos guiar, em todos os movimentos, com postura política condizente com nossos princípios libertários, inspirados na tradição e na matriz de pensamento e prática do Anarquismo. Defendemos nos movimentos com os quais atuamos que quem deve decidir os rumos das lutas sociais são os reais interessados e afetados diretos, e não agentes externos. Nossa atuação distancia-se da prática de vanguarda porque acreditamos que nossa contribuição é dialética e, sobretudo, ética. Não entendemos que estamos à frente do povo em luta, nem na retaguarda, mas sim ao lado, ombro a ombro. Enfatizamos que esta é uma de nossas diferenças essenciais, que faz com que, na medida em que atuamos no seio de qualquer luta, estamos também sempre aprendendo, influenciando e sendo influenciados pelos próprios movimentos sociais com os quais nos relacionamos.

Estamos firmemente convictos da importância de nosso difícil e ao mesmo tempo modesto trabalho em todos os setores que atuamos nestes últimos anos. Em todos eles defendemos os nossos princípios (classismo, ação direta, horizontalidade, autonomia, democracia direta e solidariedade) de forma honesta. Por isso, sempre fomos bem recebidos e entendidos como aliados de luta. Isso só faz crescer a solidariedade entre nós, companheiros e companheiras, irmãos na exploração e reação a este estado de desorganização e opressão completa no qual vivemos.

É claro que, como as demais organizações políticas, guardadas suas devidas diferenças, não estamos isentos de tomar caminhos equivocados. A ORL contou com erros e acertos ao longo de toda sua trajetória. Não nos cabe aqui, a exemplo de outras organizações políticas, fazer um discurso triunfante. Cabe destacar que, para nós, as melhores avaliações e aprendizados são construídos com aqueles que estão em luta conosco, nos movimentos sociais, fraternos na luta que travamos cotidianamente.

“A Revolução é imensa, os acontecimentos gigantes, mas os homens são infinitamente pequenos. Eis o caráter de nosso tempo.”

Mikhail Bakunin (Carta a Pierre J. Proudhon)

Infelizmente, após a saída de um companheiro que esteve ao nosso lado nos últimos anos, temos de vir relembrar nossas aspirações publicamente e reafirmar nossa perspectiva enquanto organização. Para nós, não é trabalho demasiado responder, e tornou-se necessário fazê-lo, uma vez que nos sentimos desrespeitados e caluniados com as palavras divulgadas em alguns círculos de luta, por meio da “Carta aberta de desligamento do camarada Macarrão da Organização Resistência Libertária [ORL]”. Não somos em nada contra a escrita de uma carta de desligamento de um militante que decidiu por se desvincular de nossa organização, pelo contrário, somos favoráveis a essa prática. Contudo, esperávamos algo que construísse a luta política e social, de avanço do Anarquismo e dos movimentos sociais no Brasil. Esperávamos o mínimo de análise e reflexão teórica, já que foi este o debate que o companheiro tentou travar antes de sua saída. Ao longo da citada carta, o ex-militante da ORL buscou expor falhas e questões de caráter interno da nossa Organização, compartilhando uma série de avaliações pessoais sobre as mesmas que, na nossa visão, são em sua grande maioria equivocadas e irresponsáveis. Consideramos isso porque o referido ex-militante mentiu e dissimulou partes do nosso referencial teórico e da nossa prática política, substituindo-os por análises, conceitos, idéias e noções que ele próprio defende, relacionados diretamente com outros meios políticos externos e distintos da ORL.

É lamentável que tenhamos que escrever um longo texto para desmentir falsas interpretações, sabendo que todo o discurso da Carta está marcado por um “espezinhamento” e por um “denuncismo” aberto e indiscriminado, numa tentativa de deslegitimar-nos sem, contudo, apresentar fundamentação consistente. Uma prática corrente há anos em setores da esquerda mais autoritária, que tem por objetivo a pura destruição do oponente político.

Iremos, então, responder a carta de modo diferente, com respostas políticas, da maneira como pensamos que deve ser todo debate que participamos. Abaixo descreveremos a análise, de forma mais detalhada e explicativa, de alguns pontos centrais contidos na referida carta, conforme nossa concepção política:

  1. A primeira falha que percebemos nas idéias expostas foi o discurso a-histórico. São feitas avaliações da luta a partir do hoje, não compreendendo o passado em seu contexto e suas particularidades, numa maneira de ver e analisar deveras anacrônica, que projeta no passado noções que o autor da carta tem hoje como se já as tivesse. Aponta erros pretéritos que o próprio autor avaliava diferente à época. Inclusive se isenta de todos os erros que diz ter a Organização cometido, como se não devesse responsabilidades pelo agrupamento que construía e não tivesse relação nenhuma com os equívocos cometidos coletivamente. De modo oportunista, tenta se sobressair escondendo erros e posturas que assumiu ao longo de sua militância conosco. Em nossa Organização, discordamos veementemente de tal conduta, já que todos os militantes da ORL são responsáveis por nossas táticas e estratégias políticas, devendo assumir coletivamente nossos erros e acertos.
  2. Cai na prática do “denuncismo”, com um longo texto que em nada contribui para os movimentos sociais ou para o Anarquismo e sua construção a nível nacional. Reconhecemos que o companheiro pode ter conhecimento e mesmo o debate sobre o campo do Anarquismo no Brasil (ainda que não esteja de acordo com o que pensamos), mas este perdeu uma ótima oportunidade para qualificar e elevar seu discurso. Compreendemos também como equivocada e frustrada o envio de sua carta para círculos de luta variados sem nenhuma relação embriológica com o Anarquismo, demonstrando uma clara confusão de ambientes e desvio de objetivos.
  3. O militante, diferente do que quer fazer transparecer na Carta, se orienta sem norte estratégico. Atua onde explode a luta de forma voluntarista, espontaneísta e individual. Enquanto nossa Organização planeja, coletivamente, a atuação em qualquer espaço de atuação política, o companheiro decidiu eximir-se desta tarefa, uma vez que passou a agir e “fechar” com grupos externos à ORL nos espaços de luta, sem nosso conhecimento, faltando com respeito e responsabilidade perante a Organização. Um exemplo disso foi sua defesa aberta do Voto estratégico em Dilma Rousseff nas últimas eleições, compactuando com o fortalecimento do Estado e do parlamentarismo, negligenciando a nossa conduta e o referencial do Anarquismo frente às eleições e à representatividade burguesas.
  4. Os conceitos utilizados pelo companheiro já não condiziam com nosso referencial teórico, com nossa Declaração de Princípios[2] e com nossa prática política. Conceitos como “vanguarda”, “centralismo”, “massa”, dentre outros, e noções como “material humano” e “pára-governismo” não fazem parte das nossas referências e da linguagem que usamos para comunicar nosso pensamento e nossa ação. Essas noções acabaram por revelar um alinhamento teórico distinto do que temos acumulado. No lugar da prática e do conceito de vanguarda, por exemplo, nos pautamos pelo conceito de “minoria ativa”, ou seja, defendemos a inserção de nossos militantes nos movimentos sem a busca frenética por aparelhos de “direção” da luta ou a conquista dos espaços de decisão. Nossa perspectiva é de construção da luta de base dos setores em luta, defendendo que a organização se dê “de baixo para cima” e da “circunferência para o centro”, e não o inverso. Contrapomos ainda à “centralização”, defendida pelo camarada, a horizontalidade e o federalismo como princípios e formas de organização descentralizada e libertária – tão caros ao Anarquismo internacional e de luta.
  5. Aproximamo-nos do Fórum do Anarquismo Organizado (FAO) porque este representa uma proposta de construção do Anarquismo organicista no Brasil. Discordamos veementemente da análise feita pelo camarada com relação ao Fórum, sobretudo se pensarmos na construção do Anarquismo de maneira séria, com enraizamento nas lutas e respeito às localidades. Para nós, a postura mais acertada é iniciar a discussão com o referido Fórum, que nos oferece uma construção mais atenta e dialética do anarquismo a nível nacional. Contudo, reafirmamos que não fazemos parte organicamente do FAO, mesmo mantendo relações de proximidade política. Na carta do companheiro é oferecida como alternativa para os anarquistas no Brasil a organização em torno da UNIPA, um “partido anarquista”, organizado e centralizado em escala nacional, tendo por base uma teoria engessada a qual não se constrói, apenas se adere. Discordamos que exista uma “expressão acabada do Anarquismo”, como a referida organização defende, um sistema teórico supostamente “científico” e dogmático, que nos isolaria em abstrações, negando a constante dialética entre a teoria e a ação. Para nós, os teóricos são referências para o pensar e o agir de nossa organização em nossa experiência contemporânea. Devem ser lidos, interpretados e apropriados a luz das preocupações atuais.
  6. O companheiro faz confusão e trata com frouxidão a análise do conceito de especifismo, pondo um sinal de “igual” com os de ecletismo e sintetismo. Especifismo, em apertado resumo, traduz a ideia da Organização formada especificamente e unicamente de anarquistas, com unidade teórica e prática, em nível político para atuar no social. A Federação Anarquista Uruguaia (FAU) desenvolve o termo e o difunde para a América Latina. Em outras partes do mundo a organização só de anarquistas é conhecida por outros termos. Na organização especifista não cabe todo tipo de anarquistas, ou todos aqueles e aquelas que se dizem anarquistas. Não é, portanto, uma “colcha de retalhos”, conforme argumentado, pois nesta forma organizacional não cabem os anarquistas reprodutores de uma política autoritária e antiética presentes no seio da organização, ou mesmo individualistas, primitivistas e/ou anti-organizacionistas. Explicando ao companheiro, sintetismo é quando dentro de um mesmo agrupamento anarquista se encontram diferentes concepções do anarquismo distintas no âmbito teórico e que podem, mas não sempre, conflitar na prática, como já fora defendido pelo anarquista Sebastian Faure. Este não é o caso da ORL, que é, como explícito em nossos documentos, expresso em nossas ações planejadas e em nossa prática política, uma organização que busca constante unidade teórica e prática. Contudo, aparenta ser o caso do companheiro ao reivindicar o arcabouço teórico-conceitual e lingüístico do leninismo e do trotskismo, aliado a teóricos do anarquismo. Esta sim é, portanto, uma manifestação “ecletistista” e “sintetista”, uma vez que se arvora no Anarquismo, mas tem por base a fusão de teorias e conceitos completamente distintos e antagônicos.
  7. O camarada tentou no último ano fraturar ou “rachar”, como preferem alguns militantes adeptos do trotskismo e do maoísmo, a organização assumidamente, fazendo, inclusive, a disputa de militantes para construir outro agrupamento. Nos últimos meses em que esteve na organização chegou a propor uma formação política interna com marcada linha teórica de outra organização. Isso demonstra que o companheiro já estava tendo contato direto e/ou íntimo com o grupo a quem solicita ingresso, mesmo se não tivesse ainda ingressado. O mesmo só saiu da ORL quando percebeu que seus objetivos não seriam concretizados.
  8. Por fim, diz na carta que a ORL não tem uma teoria definida, nem aponta possibilidades de debate e formulação teórica, por não darmos importância à teoria para a luta social. A esta crítica resta respondermos e reiterarmos que, na realidade, apenas não nos interessa copiar ou aderir a algum programa político de outra organização, previamente formatado e distante das particularidades do nosso lugar e tempo de atuação. A construção da teoria se dá na prática de luta diária e não sentado em um divã, em busca da teoria perfeita para “aplicar” onde quer que seja.

Nesse sentido, com tantas divergências, entendemos que já era mais que chegada a hora da saída do companheiro da nossa organização. A Organização Política existe para potencializar a luta e, na medida em que nós, na avaliação do companheiro, estávamos seguindo o caminho errado e em que o mesmo atrapalhava, uma vez que não mais construía a Organização, sua saída era questão de tempo. Talvez o nosso maior erro neste processo tenha sido o de não tê-lo expulsado ao percebermos que seu alinhamento teórico e prático estava em confronto direto com o que defendemos. Agimos de modo igual com aqueles militantes que, por motivos vários, optaram por se desligar ou se afastar da ORL, esperando honestidade e fraternidade, quando na verdade deveríamos ter tido uma atitude mais correta e firme. Assumimos publicamente nosso erro.

Por fim, compreendemos que o companheiro não enfatizou o real motivo de sua saída da Organização, tal seja o seu alinhamento teórico e prático com uma organização política que tem seu arsenal teórico vinculado direta e explicitamente com matrizes de pensamento e prática no comunismo autoritário internacional.

Mentiras e dissimulações não toleramos, por isso perdemos nosso escasso tempo, respondendo tais leviandades que aqueles e aquelas que conhecem nossa militância sabem e já vieram discordar, de maneira solidária, entrando em contato e conversando conosco pessoalmente. Desejamos ao companheiro uma bela trajetória de luta e que, independente da organização que venha fazer parte, desenvolva uma militância séria e honesta, baseada na ética, no compromisso militante e na solidariedade. É o que esperamos de todo militante, independente da sua ideologia.

Esperamos sinceramente que esta resposta não seja tomada como mais uma briga de egos das quais o referido militante já tomou corpo historicamente, mas sim uma resposta clara e direta da nossa Organização. Caso este texto abra margem a outros questionamentos ou documentos dirigidos a nossa organização em torno desse assunto, seja pelo ex-militante ou pela organização que o companheiro pleiteia ingresso, desejamos prioritariamente responder-lhes de forma concreta, nos campos de luta em que atuamos, com nossa prática política.

Ao que importa, seguiremos firmes na luta cotidiana ao lado dos nossos companheiros e companheiras de luta do nosso povo, empenhados na construção do Anarquismo como ferramenta de transformação social, mais fundamentalmente na construção de um Povo Forte e cientes da grande tarefa revolucionária que devemos perseguir.

Saudações Libertárias, Fraternas e Solidárias.

Organização Resistência Libertária – ORL.

Fortaleza/CE, 03 de novembro de 2011.

[1] Manifesto de Criação da Resistência Libertária

https://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=51&Itemid=69

[2] Declaração de Princípios da Organização Resistência Libertária

https://resistencialibertaria.org/index.php?option=com_content&view=article&id=52&Itemid=70

fev 282011
 

Edição nº 2, Fevereiro de 2011

Copa do Mundo 2014: o Estado de exceção já começou!

Nossos Direitos estão Acima dos Lucros!

Fortaleza é uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, e em relação aos impactos que essa decisão acarreta, o futebol é o que menos importa. Esses megaeventos esportivos, como Copas do Mundo e Jogos Olímpicos, tornam-se grandes oportunidades para que as cidades concorram como “mercadorias à venda”. As cidades viram vitrines, exibindo e oferecendo todo seu potencial a investidores externos, que buscam explorá-las a baixo custo, gerando uma falsa impressão de crescimento/desenvolvimento local. Em troca dessa visibilidade, no caso da Copa, a sede assina um termo de compromisso pelo qual fica obrigada a exigências da FIFA como segurança, saúde, lazer e mobilidade para os turistas, além da exclusividade de venda aos patrocinadores oficiais do evento, comprometendo completamente o país à vontade externa.

Na verdade, o esporte é utilizado como elemento que legitima e justifica graves intervenções urbanas, ditas como necessárias para que o evento ocorra. Divulgadas como de “interesse social, coletivo” e sempre em caráter de urgência, são obras que visam limpar a população pobre da imagem publicitária da cidade.

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fev 242011
 

Nº. II ● FEVEREIRO DE 2011

Subir a passagem é roubar o fortalezense!

Após as festividades de fim de ano, com a qual a prefeitura de Fortaleza desembolsou um milhão, trezentos e vinte e oito mil reais só para os cachês das atrações no Revellion de 2010 (O POVO 05.01.2011), e após gastar mundos e fundos nos editais de Pré-Carnavais Oficiais, dando continuidade a política do Pão e Circo, o Secretário da SEINF tem a cara de pau de afirmar que a prefeitura de Fortaleza não tem recursos para tapar os buracos das cidades (OPOVO 11.02.2011).

Enquanto isso, a prefeitura de Fortaleza e os empresários do Sindiônibus (Sindicato dos Empresários) querem, juntos, elevar o preço da passagem de ônibus de Fortaleza de R$1,80 para R$2,20. Um aumento de 22%, maior aumento de passagem do Brasil, que tentam justiticar por conta do aumento salarial de 7% dos trabalhadores rodoviários, algo arrancado com muita dificuldade após as greves heróicas do ano de 2010.

A Prefeitura diz que a intenção é manter a qualidade do serviço prestado… mas nos questionamos: que serviço prestado é esse? Enfrentamos ônibus lotados todos os dias e em praticamente todos os horários, engarrafamentos constantes e que só pioram, além da buraqueira nos asfaltos que ocasionam tantos acidentes e até mortes. Onde está a boa qualidade no serviço?

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fev 022011
 

Fonte:http://www.anarkismo.net/article/18669

Jornadas Anarquistas
Janeiro 2011 – São Paulo

 

Declaração Final

 

jornadas_verm.jpgDurante os dias 25 e 26 de janeiro de 2011, na cidade de São Paulo, se realizaram as Jornadas Anarquistas, convocadas pela Federação Anarquista Uruguaia (FAU) e o Fórum do Anarquismo Organizado do Brasil (FAO).

A realização destas Jornadas tem por objetivo o desenvolvimento do anarquismo especifista na América Latina, visando o intercâmbio e a coordenação das organizações políticas anarquistas que se inserem nesta corrente. O debate se coloca sobre temas comuns a todas essas organizações, em relação aos quais se vem trabalhando e contribuindo a partir de cada lugar, a partir das lutas cotidianas, a partir das criações e recriações que surgem da análise de elementos que entendemos ser estratégicos para a construção do socialismo libertário em nosso continente: o Poder Popular e o Federalismo Libertário.

Isso é uma necessidade, porque acontece hoje, fruto de um processo histórico, um desenvolvimento importante de nossa corrente do anarquismo, assim como uma construção teórica e política concreta. Esta construção faz com que essas organizações de vários países busquem confluir em um âmbito de comunhão ao qual todas elas aderem.

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out 302010
 

Edição nº 1, Outubro de 2010

Grito dos Excluídos, 2010

Em meados de 2009 Fortaleza foi escolhida para ser uma das 12 subsedes da Copa do Mundo de 2014 no Brasil. O credenciamento da capital cearense deve-se  ao  esforço  conjunto  do Governo  do  Estado  e  da  Prefeitura Municipal, que apresentaram à FIFA um mega-plano contendo nada menos que 86 projetos, divididos em sete áreas de  investimento  (estádios, turismo, transporte e mobilidade, saneamento e meio ambiente, segurança, saúde, energia e telecomunicações), com um orçamento inicial de quase R$ 9,3 bilhões, a maior parte de dinheiro público.

A  exemplo  do  que  aconteceu  na  Copa  da  África  do  Sul,  nas Olimpíadas de Pequim e no Pan-Americano do Rio, o Governo do Estado  e  a Prefeitura  já  ameaçam  remover milhares  de  famílias pobres de suas moradias para dar lugar a obras de infra-estrutura e de embelezamento urbano, como parte do plano de preparação de Fortaleza  para a Copa de 2014.   Estima-se que pelo menos 20 mil famílias serão  removidas somente em decorrência do alargamento da  Via  Expressa  e  da  implantação  do  Veículo  Leve  sobre  Trilhos (VLT), obras que têm  como  objetivo servir como principal corredor de   transporte   da   Copa,   ligando   a   zona   hoteleira   da   cidade diretamente às portas do Estádio Castelão.

 

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maio 022010
 

Evento de 100 Anos da CNT!

100 ANOS DA CNT E A REVOLUÇÃO ESPANHOLA

Em julho de 1936 irrompe golpe de Estado militar na Espanha. Os trabalhadores pegam em armas e saem às ruas para combater o fascismo que tenta se impor. A partir daí a terra, as fábricas, as ruas, tudo para todos. O povo, que foi oprimido durante séculos, finalmente mudaria a situação. Através de suas mãos, operários e camponeses poderiam então decidir sobre suas próprias vidas.

A intensa capacidade de organização e mobilização da classe trabalhadora espanhola deveu-se em grande parte à ação desenvolvida por mais de duas décadas pela Confederação Nacional do Trabalho – CNT. Central sindical de caráter anarco-sindicalista, fundada pelo povo espanhol em 1910, já no ano seguinte contava com 30.000 membros.

E é para rememorar os 100 anos da CNT e as lutas da Guerra Civil Espanhola que o Núcleo de Pesquisa Marques da Costa envia este convite para o evento “100 Anos da CNT e a Revolução Espanhola”. O evento, com entrada franca, contará com a exibição do documentário
“Guerra Civil Espanhola: prelúdio à Tragédia” (58 min.), seguido de uma palestra de Miguel Suarez, mestrando de História da Universidade Federal Fluminense sobre os “Cem Anos da CNT e a Revolução Espanhola”.

A mesa contará ainda com a mediação de Antony do Vale (Sindipetro) e a participação de Alexandre Samis (Federação Anarquista do Rio de Janeiro).

Dia: 04 de Maio, terça-feira.

Hora: 18 horas.

Local: Auditório do Sindipetro – Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro – Avenida Passos, 34 – segundo andar. (entre a Praça Tiradentes e a Avenida Presidente Vargas)

Este evento é uma organização conjunta de:

Núcleo de Pesquisa Marques da Costa – NPMC e SINDIPETRO-RJ.

Fonte: www.farj.org

maio 022010
 

MANIFESTO DE CRIAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

“Carregamos um mundo novo em nossos corações, que cresce a cada momento. Ele está crescendo neste instante […].”

Buenaventura Durruti

Camaradas de espírito libertário,

Companheiras e companheiros de caminhada nesta luta por igualdade e liberdade,

Estamos a partir deste momento manifestando publicamente nossa presença e exprimindo a esperança que alimentamos da construção de uma sociedade fundada em outras bases que não as atuais. Acreditamos profundamente num mundo fundado na justiça social, na igualdade entre todos os indivíduos, mulheres e homens, e acima de tudo na liberdade, para que floresça a vida e a paz entre todos.

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maio 022010
 

Declaração de Princípios
ORGANIZAÇÃO RESISTÊNCIA LIBERTÁRIA

“O problema não é saber se o povo pode se rebelar, mas se é capaz de construir uma organização que lhe dê os meios de chegar a um fim vitorioso – não por uma vitória fortuita, mas por um triunfo prolongado e derradeiro”.

“Estamos convencidos de que liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça, e que socialismo sem liberdade é escravidão e brutalidade”.

Mikhail Bakunin

 

A necessidade da luta anticapitalista

 

Nunca a necessidade de encontrar alternativas ao domínio do capital foi tão atual como agora. A tirania capitalista assume hoje uma ofensiva global ainda mais agressiva e destrutiva do que suas fases de desenvolvimento anteriores e estende seus tentáculos a todos os aspectos da vida. Por um lado, a desigualdade e a degradação das condições de vida das populações pobres marcham a passos de gigante em escala planetária, de tal forma que hoje uma parcela cada vez maior da população mundial já não consegue suprir nem mesmo suas necessidades mais básicas como alimentação, moradia, saúde, transporte, educação, etc. Continue reading »

set 302008
 

Nº. I ● SETEMBRO DE 2008

Eleições, representatividade e outras enganações…

Exatamente no momento em que o capitalismo arrasta a humanidade para impasses cada vez mais profundos e à medida que a dinâmica da economia mundial reduz cada vez mais as margens de atuação dos Estados nacionais, tornando-os a cada dia mais impotentes para conter o aumento da miséria e das desigualdades sociais, minando assim as bases de sua legitimidade, a esquerda, assim como a direita, nos oferecem mais uma vez o mito das eleições e da democracia representativa como remédio para todos os males. Em vez de um chamado à luta contra a sociedade do capital, nos convocam, em coro afinadíssimo, a renovarmos nossa fé nos políticos, no Estado e no próprio capitalismo.

Nada mais natural do que isso, e seria absurdo esperar o contrário. Afinal de contas, pese às diferenças que ainda possam existir entredireita e esquerda (e elas são cada vez menores e menos perceptíveis!), ambas colocam-se num mesmo círculo de fogo que limita suas disputas ao controle do Estado burguês e à conseqüente e inevitável defesa da ordem capitalista.

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